DO POLIGLOTA AO TROGLODITA: O QUE É MELHOR PARA O BRASIL? 18 Junho 2009
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Artigo do Acadêmico Daniel Lança, estudante de direito e militante do PSDB em Itabira, Minas Gerais.
Estamos em 2009 – há 45 do golpe militar de 1964, há 24 anos da redemocratização do país, há 15 anos do plano real, há 14 anos do governo FHC e há 7 anos do governo Lula. E nesse ínterim, muita coisa mudou. Passamos do milagre econômico à depressão financeira, que elevou aos ares as taxas de inflação e o risco país, e conseguimos dar a volta por cima, atingindo desenvolvimento econômico pujante, que nem mesmo a crise econômica de 2008 conseguiu derrubar. Alcançamos o tão esperado grau de investimento (investment grade); diminuímos os índices de pobreza, elevamos o PIB, diminuímos a taxa de desemprego e nos tornamos fundamentais no cenário internacional, formando os chamados BRICs e liderando o G-20.
Nesse caminho, que se iniciou com o Plano Real, e vem até os dias atuais, passaram pelo Palácio do Planalto duas figuras bem distintas: o professor e o metalúrgico; o intelectual e o peão,o poliglota e o troglodita. Mas afinal, o que é melhor para o Brasil?
Fernando Henrique Cardoso foi o 34° Presidente da República. Já havia ocupado os cargos de Senador pelo Estado de São Paulo, Ministro das Relações Exteriores (chanceler) e Ministro da Fazenda, quando esse último cargo não permanecia mais que quatro meses com o mesma pessoa, em virtude do desastre fiscal e financeiro que o país passava. Antes disso, FHC era sociólogo e professor universitário, titular na cadeira de Ciência Política da USP, doutor honoris causa em diversas Universidades da Europa, e foi convidado a substituir o filósofo Habermas na Universidade de Berkley, California. Fala diversos idiomas, e foi eleito como um dos 100 intelectuais vivos da atualidade, e único brasileiro a constar nessa lista.
Em seu governo, deu consistência à macroeconomia brasileira, diminuiu a inflação, estabeleceu as bases do Real; fortaleceu as instituições, criou agências reguladoras, editou a Lei de Responsabilidade Fiscal e promulgou a Reforma Previdenciária.
Já o Presidente Luís Inácio “Lula” da Silva começou sua trajetória como torneiro mecânico no ABC paulista. Se tornou líder sindical, função que ocupou durante longo tempo, e homem de força do Partido dos Trabalhadores – PT. Ocupou o cargo de Deputado Federal uma única vez, e tentou candidatura à Presidência em 1989, 1994, 1998, até se sagrar o 35° Presidente da República, em 2002.
Em seu governo, aprimorou os programas sociais de assistência, mormente o Bolsa Família, criou um sistema de cotas para negros em universidades e estabeleceu os programas ProUni e ReUni, que levaram milhares de jovens de classes sociais mais baixas ao ensino superior; manteve as bases macroeconômicas, alcançando desenvolvimento e crescimento excepcionais, promulgou a Reforma no Judiciário e colocou o Brasil entre os jogadores de destaque no âmbito internacional..
Ambos tiveram também suas semelhanças: abusaram das Medidas Provisórias, fizeram ao longo do mandato diversas e longas visitas ao exterior, formaram a maioria no Parlamento, às vezes a custos caros; tiveram bons índices de popularidade, especialmente Lula, que bateu todos os recordes.
E embora o perfil dos dois últimos Presidentes seja bem distinto, qual personalidade se encaixa mais ao exercício presidencial? O intelectual ou o líder sindical? Quem fala vários idiomas ou quem, às vezes, escorrega no seu próprio vernáculo?
Já tivemos Presidentes da República generais e advogados, fazendeiros e economistas, torneiros mecânicos e médicos. Todavia, o legado que deixam independe da profissão que exerciam ou da classe social que pertenciam. A qualidade primordial que dominava nos poucos estadistas, e não apenas políticos, que tivemos como Presidentes, eram o espírito de homem público, viés empreendedor e visão no futuro do país. Que a história do Brasil possa ser escrita por homens e mulheres com essas qualidades – e que a ordem e o progresso, tão almejado pelos republicanos positivistas do final do século XIX, sejam uma realidade num país promissor como é o nosso.
[...] Juventude tucana não consegue disfarçar o preconceito 2009 Junho 18 by Brasileiros e Brasileiras Onde você guarda seu preconceito? Muitos tucanos já aprenderam a esconder, mas a juventude escorrega. Em artigo intitulado “Do poliglota ao troglodita” um estudante de Direito destila um elitismo que contrariaria qualquer Mosca e Pareto e mostra como são educados os militantes do PSDB. O tal estudante afirma que o Palácio do Planalto recebeu figuras bem distintas: “do professor ao metalúrgico, do intelectual ao peão, do poliglota ao troglodita”. Com a arrogância típica das mentes pouco brilhantes, o estudante de Direito conclui: “E embora o perfil dos dois últimos Presidentes seja bem distinto, qual personalidade se encaixa mais ao exercício presidencial? O intelectual ou o líder sindical? Quem fala vários idiomas ou quem, às vezes, escorrega no seu próprio vernáculo?”. É assustador saber que uma pessoa de 20 anos, talvez menos, ainda pense assim. Tantas conquistas democráticas, tanta luta e mesmo dentro dos centros pensantes jovens ainda julgam o mérito de um governante por seu berço de nascimento. Nós sonhamos com uma Democracia que nunca podereremos tocar. Porque a Democracia é antes de tudo um valor. Democracia é um sistema de governo que trata um homem como 1 homem e separa o espaço público do privado. No espaço público todos são iguais e tem voz igual para se reafirmar perante a sociedade e peões, trogloditas estão aptos para liderar intelectuais, poliglotas se tiverem inteligência e sabedoria política. A íntegra do texto do Ninho tucano pode ser lida aqui. [...]
[...] Uma resposta 20 Junho 2009 Posted by Gabriel de Azevedo in JPSDB. trackback Escreve Daniel Lança, autor do artigo “DO POLIGLOTA AO TROGLODITA: O QUE É MELHOR PARA O BRASIL?” [...]
Só uma coisinha, irrelevante para a sua comparação, Gabriel. Quantas vagas o poliglota criou no ensino superior entre 1994 e 2002?
Vou repassar a pergunta ao autor do texto. Sei a resposta. Você compreendeu o texto, bem, espero… Não imagino que vá querer usar o dado de argumento…