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Hora de avoar; antes uma carta repleta de razão 30 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in JPSDB.
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Caros, vosso blogueiro parte para um pequeno intervalo nesse feriado. Apesar de não constar que o tucano seja uma ave migratória, vou bater asas para um breve descanço. Deixo-lhes neste post de véspera de feriado, a reprodução de uma carta muito apropriada.

113 pessoas preenchidas de coerência enviaram o texto que segue abaixo ao STF e ao momento está sendo lido na mais alta corte do país. O tema dos parágrafos que seguem é a instituição de cotas raciais no Brasil.

Não preciso enumerar quantos absurdos cabem nessa idéia. As palavras que seguem o fazem com muito mais propriedade. Já considerando-me o centésimo décimo quarto signatário, sigo para o feriado. O blog volta à rotina já no domingo. Boa leitura.

Excelentíssimo Sr. Ministro,

Duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 3.330 e ADI 3.197) promovidas pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), a primeira contra o programa PROUNI e a segunda contra a lei de cotas nos concursos vestibulares das universidades estaduais do Rio de Janeiro, serão apreciadas proximamente pelo STF. Os julgamentos terão significado histórico, pois podem criar jurisprudência sobre a constitucionalidade de cotas raciais não só para o financiamento de cursos no ensino superior particular e para concursos de ingresso no ensino superior público como para concursos públicos em geral. Mais ainda: os julgamentos têm o potencial de enviar uma mensagem decisiva sobre a constitucionalidade da produção de leis raciais.
Nós, intelectuais da sociedade civil, sindicalistas, empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais, dirigimo-nos respeitosamente aos Juízes da corte mais alta, que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.

Na seara do que Vossas Excelências dominam, apontamos a Constituição Federal, no seu Artigo 19, que estabelece: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. O Artigo 208 dispõe que: “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. Alinhada com os princípios e garantias da Constituição Federal, a Constituição Estadual do Rio de Janeiro, no seu Artigo 9, § 1º, determina que: “Ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo, estado civil, trabalho rural ou urbano, religião, convicções políticas ou filosóficas, deficiência física ou mental, por ter cumprido pena nem por qualquer particularidade ou condição”.

As palavras da Lei emanam de uma tradição brasileira, que cumpre exatos 120 anos desde a Abolição da escravidão, de não dar amparo a leis e políticas raciais. No intuito de justificar o rompimento dessa tradição, os proponentes das cotas raciais sustentam que o princípio da igualdade de todos perante a lei exige tratar desigualmente os desiguais. Ritualmente, eles citam a Oração aos Moços, na qual Rui Barbosa, inspirado em Aristóteles, explica que: “A regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade.” O método de tratar desigualmente os desiguais, a que se refere, é aquele aplicado, com justiça, em campos tão distintos quanto o sistema tributário, por meio da tributação progressiva, e as políticas sociais de transferência de renda. Mas a sua invocação para sustentar leis raciais não é mais que um sofisma.

Os concursos vestibulares, pelos quais se dá o ingresso no ensino superior de qualidade “segundo a capacidade de cada um”, não são promotores de desigualdades, mas se realizam no terreno semeado por desigualdades sociais prévias. A pobreza no Brasil tem todas as cores. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006, entre 43 milhões de pessoas de 18 a 30 anos de idade, 12,9 milhões tinham renda familiar per capita de meio salário mínimo ou menos. Neste grupo mais pobre, 30% classificavam-se a si mesmos como “brancos”, 9% como “pretos”, e 60% como “pardos”. Desses 12,9 milhões, apenas 21% dos “brancos” e 16% dos “pretos” e “pardos” haviam completado o ensino médio, mas muito poucos, de qualquer cor, continuaram estudando depois disso. Basicamente, são diferenças de renda, com tudo que vem associado a elas, e não de cor, que limitam o acesso ao ensino superior.

Apresentadas como maneira de reduzir as desigualdades sociais, as cotas raciais não contribuem para isso, ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação. E, contudo, mesmo no universo menor dos jovens que têm a oportunidade de almejar o ensino superior de qualidade, as cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias ou produzem novas desigualdades:
 As cotas raciais exclusivas, como aplicadas, entre outras, na Universidade de Brasília (UnB), proporcionam a um candidato definido como “negro” a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como “branco”, mesmo se o primeiro provém de família de alta renda e cursou colégios particulares de excelência e o segundo provém de família de baixa renda e cursou escolas públicas arruinadas. No fim, o sistema concede um privilégio para candidatos de classe média arbitrariamente classificados como “negros”.
 As cotas raciais embutidas no interior de cotas para candidatos de escolas públicas, como aplicadas, entre outras, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), separam os alunos proveniente de famílias com faixas de renda semelhantes em dois grupos “raciais” polares, gerando uma desigualdade “natural” num meio caracterizado pela igualdade social. O seu resultado previsível é oferecer privilégios para candidatos definidos arbitrariamente como “negros” que cursaram escolas públicas de melhor qualidade, em detrimento de seus colegas definidos como “brancos” e de todos os alunos de escolas públicas de pior qualidade.
A PNAD de 2006 informa que 9,41 milhões de estudantes cursavam o ensino médio, mas apenas 5,87 milhões freqüentavam o ensino superior, dos quais só uma minoria de 1,44 milhão estavam matriculados em instituições superiores públicas. As leis de cotas raciais não alteram em nada esse quadro e não proporcionam inclusão social. Elas apenas selecionam “vencedores” e “perdedores”, com base num critério altamente subjetivo e intrinsecamente injusto, abrindo cicatrizes profundas na personalidade dos jovens, naquele momento de extrema fragilidade que significa a disputa, ainda imaturos, por uma vaga que lhes garanta o futuro.

Queremos um Brasil onde seus cidadãos possam celebrar suas múltiplas origens, que se plasmam na criação de uma cultura nacional aberta e tolerante, no lugar de sermos obrigados a escolher e valorizar uma única ancestralidade em detrimento das outras. O que nos mobiliza não é o combate à doutrina de ações afirmativas, quando entendidas como esforço para cumprir as Declarações Preambulares da Constituição, contribuindo na redução das desigualdades sociais, mas a manipulação dessa doutrina com o propósito de racializar a vida social no país. As leis que oferecem oportunidades de emprego a deficientes físicos e que concedem cotas a mulheres nos partidos políticos são invocadas como precedentes para sustentar a admissibilidade jurídica de leis raciais. Esse segundo sofisma é ainda mais grave, pois conduz à naturalização das raças. Afinal, todos sabemos quem são as mulheres e os deficientes físicos, mas a definição e delimitação de grupos raciais pelo Estado é um empreendimento político que tem como ponto de partida a negação daquilo que nos explicam os cientistas.

Raças humanas não existem. A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas “raças” humanas são características físicas superficiais, que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de 10 genes! Nas palavras do geneticista Sérgio Pena: “O fato assim cientificamente comprovado da inexistência das ‘raças’ deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais Uma postura coerente e desejável seria a construção de uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é em bilhões de indivíduos, e não em um punhado de ‘raças’.” (“Receita para uma humanidade desracializada”, Ciência Hoje Online, setembro de 2006).

Não foi a existência de raças que gerou o racismo, mas o racismo que fabricou a crença em raças. O “racismo científico” do século XIX acompanhou a expansão imperial européia na África e na Ásia, erguendo um pilar “científico” de sustentação da ideologia da “missão civilizatória” dos europeus, que foi expressa celebremente como o “fardo do homem branco”.

Os poderes coloniais, para separar na lei os colonizadores dos nativos, distinguiram também os nativos entre si e inscreveram essas distinções nos censos. A distribuição de privilégios segundo critérios etno-raciais inculcou a raça nas consciências e na vida política, semeando tensões e gestando conflitos que ainda perduram. Na África do Sul, o sistema do apartheid separou os brancos dos demais e foi adiante, na sua lógica implacável, fragmentando todos os “não-brancos” em grupos étnicos cuidadosamente delimitados. Em Ruanda, no Quênia e em tantos outros lugares, os africanos foram submetidos a meticulosas classificações étnicas, que determinaram acessos diferenciados aos serviços e empregos públicos. A produção política da raça é um ato político que não demanda diferenças de cor da pele.
O racismo contamina profundamente as sociedades quando a lei sinaliza às pessoas que elas pertencem a determinado grupo racial – e que seus direitos são afetados por esse critério de pertinência de raça. Nos Estados Unidos, modelo por excelência das políticas de cotas raciais, a abolição da escravidão foi seguida pela produção de leis raciais baseadas na regra da “gota de sangue única”. Essa regra, que é a negação da mestiçagem biológica e cultural, propiciou a divisão da sociedade em guetos legais, sociais, culturais e espaciais. De acordo com ela, as pessoas são, irrevogavelmente, “brancas” ou “negras”. Eis aí a inspiração das leis de cotas raciais no Brasil.

“Eu tenho o sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação na qual não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo de seu caráter”. Há 45 anos, em agosto, Martin Luther King abriu um horizonte alternativo para os norte-americanos, ancorando-o no “sonho americano” e no princípio político da igualdade de todos perante a lei, sobre o qual foi fundada a nação. Mas o desenvolvimento dessa visão pós-racial foi interrompido pelas políticas racialistas que, a pretexto de reparar injustiças, beberam na fonte envenenada da regra da “gota de sangue única”. De lá para cá, como documenta extensamente Thomas Sowell em Ação afirmativa ao redor do mundo: um estudo empírico (Univer Cidade, 2005), as cotas raciais nos Estados Unidos não contribuíram em nada para reduzir desigualdades mas aprofundaram o cisma racial que marca como ferro em brasa a sociedade norte-americana.

“É um impasse racial no qual estamos presos há muitos anos”, na constatação do senador Barack Obama, em seu discurso pronunciado a 18 de março, que retoma o fio perdido depois do assassinato de Martin Luther King. O “impasse” não será superado tão cedo, em virtude da lógica intrínseca das leis raciais. Como assinalou Sowell, com base em exemplos de inúmeros países, a distribuição de privilégios segundo critérios etno-raciais tende a retroalimentar as percepções racializadas da sociedade – e em torno dessas percepções articulam-se carreiras políticas e grupos organizados de pressão.

Mesmo assim, algo se move nos Estados Unidos. Há pouco, repercutindo um desencanto social bastante generalizado com o racialismo, a Suprema Corte declarou inconstitucionais as políticas educacionais baseadas na aplicação de rótulos raciais às pessoas. No seu argumento, o presidente da Corte, juiz John G. Roberts Jr., escreveu que “o caminho para acabar com a discriminação baseada na raça é acabar com a discriminação baseada na raça”. Há um sentido claro na reiteração: a inversão do sinal da discriminação consagra a raça no domínio da lei, destruindo o princípio da cidadania.

Naquele julgamento, o juiz Anthony Kennedy alinhou-se com a maioria, mas proferiu um voto separado que contém o seguinte protesto: “Quem exatamente é branco e quem é não-branco? Ser forçado a viver sob um rótulo racial oficial é inconsistente com a dignidade dos indivíduos na nossa sociedade. E é um rótulo que um indivíduo é impotente para mudar!”. Nos censos do IBGE, as informações de raça/cor abrigam a mestiçagem e recebem tratamento populacional. As leis raciais no Brasil são algo muito diferente: elas têm o propósito de colar “um rótulo que um indivíduo é impotente para mudar” e, no caso das cotas em concursos vestibulares, associam nominalmente cada jovem candidato a uma das duas categorias “raciais” polares, impondo-lhes uma irrecorrível identidade oficial.

O juiz Kennedy foi adiante e, reconhecendo a diferença entre a doutrina de ações afirmativas e as políticas de cotas raciais, sustentou a legalidade de iniciativas voltadas para a promoção ativa da igualdade que não distinguem os indivíduos segundo rótulos raciais. Reportando-se à realidade norte-americana da persistência dos guetos, ele mencionou, entre outras, a seleção de áreas residenciais racialmente segregadas para os investimentos prioritários em educação pública.

No Brasil, difunde-se a promessa sedutora de redução gratuita das desigualdades por meio de cotas raciais para ingresso nas universidades. Nada pode ser mais falso: as cotas raciais proporcionam privilégios a uma ínfima minoria de estudantes de classe média e conservam intacta, atrás de seu manto falsamente inclusivo, uma estrutura de ensino público arruinada. Há um programa inteiro de restauração da educação pública a se realizar, que exige políticas adequadas e vultosos investimentos. É preciso elevar o padrão geral do ensino mas, sobretudo, romper o abismo entre as escolas de qualidade, quase sempre situadas em bairros de classe média, e as escolas devastadas das periferias urbanas, das favelas e do meio rural. O direcionamento prioritário de novos recursos para esses espaços de pobreza beneficiaria jovens de baixa renda de todos os tons de pele – e, certamente, uma grande parcela daqueles que se declaram “pardos” e “pretos”.

A meta nacional deveria ser proporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade. Mas há iniciativas a serem adotadas, imediatamente, em favor de jovens de baixa renda de todas as cores que chegam aos umbrais do ensino superior, como a oferta de cursos preparatórios gratuitos e a eliminação das taxas de inscrição nos exames vestibulares das universidades públicas. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Programa de Cursinhos Pré-Vestibulares Gratuitos, destinado a alunos egressos de escolas públicas, atendeu em 2007 a 3.714 jovens, dos quais 1.050 foram aprovados em concursos vestibulares, sendo 707 em universidades públicas. Medidas como essa, que não distinguem os indivíduos segundo critérios raciais abomináveis, têm endereço social certo e contribuem efetivamente para a amenização das desigualdades.

A sociedade brasileira não está livre da chaga do racismo, algo que é evidente no cotidiano das pessoas com tom de pele menos claro, em especial entre os jovens de baixa renda. A cor conta, ilegal e desgraçadamente, em incontáveis processos de admissão de funcionários. A discriminação se manifesta de múltiplas formas, como por exemplo na hora das incursões policiais em bairros periféricos ou nos padrões de aplicação de ilegais mandados de busca coletivos em áreas de favelas.
Por certo existe preconceito racial e racismo no Brasil, mas o Brasil não é uma nação racista. Depois da Abolição, no lugar da regra da “gota de sangue única”, a nação brasileira elaborou uma identidade amparada na idéia anti-racista de mestiçagem e produziu leis que criminalizam o racismo. Há sete décadas, a República não conhece movimentos racistas organizados ou expressões significativa de ódio racial. O preconceito de raça, acuado, refugiou-se em expressões oblíquas envergonhadas, temendo assomar à superfície. A condição subterrânea do preconceito é um atestado de que há algo de muito positivo na identidade nacional brasileira, não uma prova de nosso fracasso histórico.

“Quem exatamente é branco e quem é não-branco?” – a indagação do juiz Kennedy provoca algum espanto nos Estados Unidos, onde quase todos imaginam conhecer a identidade “racial” de cada um, mas parece óbvia aos ouvidos dos brasileiros. Entre nós, casamentos interraciais não são incomuns e a segregação residencial é um fenômeno basicamente ligado à renda, não à cor da pele. Os brasileiros tendem a borrar as fronteiras “raciais”, tanto na prática da mestiçagem quanto no imaginário da identidade, o que se verifica pelo substancial e progressivo incremento censitário dos “pardos”, que saltaram de 21% no Censo de 1940 para 43% na PNAD de 2006, e pela paralela redução dos “brancos” (de 63% para 49%) ou “pretos” (de 15% para 7%).

A percepção da mestiçagem, que impregna profundamente os brasileiros, de certa forma reflete realidades comprovadas pelos estudos genéticos. Uma investigação já célebre sobre a ancestralidade de brasileiros classificados censitariamente como “brancos”, conduzida por Sérgio Pena e sua equipe da Universidade Federal de Minas Gerais, comprovou cientificamente a extensão de nossas miscigenações. “Em resumo, estes estudos filogeográficos com brasileiros brancos revelaram que a imensa maioria das patrilinhagens é européia, enquanto a maioria das matrilinhagens (mais de 60%) é ameríndia ou africana” (PENA, S. “Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas?”, Estudos Avançados 18 (50), 2004). Especificamente, a análise do DNA mitocondrial, que serve como marcador de ancestralidades maternas, mostrou que 33% das linhagens eram de origem ameríndia, 28% de origem africana e 39% de origem européia.

Os estudos de marcadores de DNA permitem concluir que, em 2000, existiam cerca de 28 milhões de afrodescendentes entre os 90,6 milhões de brasileiros que se declaravam “brancos” e que, entre os 76,4 milhões que se declaravam “pardos” ou “pretos”, 20% não tinham ancestralidade africana. Não é preciso ir adiante para perceber que não é legítimo associar cores de pele a ancestralidades e que as operações de identificação de “negros” com descendentes de escravos e com “afrodescentes” são meros exercícios da imaginação ideológica. Do mesmo modo, a investigação genética evidencia a violência intelectual praticada pela unificação dos grupos censitários “pretos” e “pardos” num suposto grupo racial “negro”.
Mas a violência não se circunscreve à esfera intelectual. As leis de cotas raciais são veículos de uma engenharia política de fabricação ou recriação de raças. Se, individualmente, elas produzem injustiças singulares, socialmente têm o poder de gerar “raças oficiais”, por meio da divisão dos jovens estudantes em duas raças polares. Como, no Brasil, não sabemos quem exatamente é “negro” e quem é “não-negro”, comissões de certificação racial estabelecidas pelas universidades se encarregam de traçar uma fronteira. A linha divisória só se consolida pela validação oficial da autodeclaração dos candidatos, num processo sinistro em que comissões universitárias investigam e deliberam sobre a “raça verdadeira” dos jovens a partir de exames de imagens fotográficas ou de entrevistas identitárias. No fim das contas, isso equivale ao cancelamento do princípio da autodeclaração e sua substituição pela atribuição oficial de identidades raciais.

Na UnB, uma comissão de certificação racial composta por professores e militantes do movimento negro chegou a separar dois irmãos gêmeos idênticos pela fronteira da raça. No Maranhão, produziram-se fenômenos semelhantes. Pelo Brasil afora, os mesmos candidatos foram certificados como “negros” em alguma universidade mas descartados como “brancos” em outra. A proliferação das leis de cotas raciais demanda a produção de uma classificação racial geral e uniforme. Esta é a lógica que conduziu o MEC a implantar declarações raciais nominais e obrigatórias no ato de matrícula de todos os alunos do ensino fundamental do país. O horizonte da trajetória de racialização promovida pelo Estado é o estabelecimento de um carimbo racial compulsório nos documentos de identidade de todos os brasileiros. A história está repleta de barbaridades inomináveis cometidas sobre a base de carimbos raciais oficialmente impostos.

A propaganda cerrada em favor das cotas raciais assegura-nos que os estudantes universitários cotistas exibem desempenho similar ao dos demais. Os dados concernentes ao tema são esparsos, contraditórios e pouco confiáveis. Mas isso é essencialmente irrelevante, pois a crítica informada dos sistemas de cotas nunca afirmou que estudantes cotistas seriam incapazes de acompanhar os cursos superiores ou que sua presença provocaria queda na qualidade das universidades. As cotas raciais não são um distúrbio no ensino superior, mas a face mais visível de uma racialização oficial das relações sociais que ameaça a coesão nacional.

A crença na raça é o artigo de fé do racismo. A fabricação de “raças oficiais” e a distribuição seletiva de privilégios segundo rótulos de raça inocula na circulação sanguínea da sociedade o veneno do racismo, com seu cortejo de rancores e ódios. No Brasil, representaria uma revisão radical de nossa identidade nacional e a renúncia à utopia possível da universalização da cidadania efetiva.

Ao julgar as cotas raciais, o STF não estará deliberando sobre um método de ingresso nas universidades, mas sobre o significado da nação e a natureza da Constituição. Leis raciais não ameaçam uma “elite branca”, conforme esbravejam os racialistas, mas passam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta dos brasileiros. Essa linha divisória atravessaria as salas de aula das escolas públicas, os ônibus que conduzem as pessoas ao trabalho, as ruas e as casas dos bairros pobres. Neste início de terceiro milênio, um Estado racializado estaria dizendo aos cidadãos que a utopia da igualdade fracassou – e que, no seu lugar, o máximo que podemos almejar é uma trégua sempre provisória entre nações separadas pelo precipício intransponível das identidades raciais. É esse mesmo o futuro que queremos?

Conferência Nacional de Juventude não conta com Lula 30 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in JPSDB.
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A Juventude do PSDB de todo o Brasil, durante a Conferência Nacional de Juventude, em Brasília, visitou o líder da Bancada, Deputado Federal José Aníbal, além de se encontrar com o Deputado Federal Bruno Araújo (PE) e os Senadores Álvaro Dias (PR) e Lúcia Vânia (GO).

A JPSDB ressaltou a importância da criação de um fundo nacional de juventude em âmbito federal para apoiar os órgãos gestores de juventudes nos Estados e municípios.

O dia na conferencia foi de muita expectativa. A JPSDB aguardava a visita do Presidente da Republica Luís Inácio Lula da Silva, preparada para protestar contra as políticas nacionais para Juventude.

Distorcidos da sua criação original o Agente Jovem, Saberes da Terra e Escola da Fábrica, todos programas criados no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, foram modificados de maneira mínima e agregados com nova roupa no Rebatizado ProJovem.

O governo atual não constrói bons programas e não edifica para o futuro, apenas passa uma camada de tinta em realizações alheias, sem fazer a manutenção devida.

Por fim, o Presidente da República não participou da Conferencia Nacional que reunia todas as representações jovens do Brasil…

Compreensível… Ele não sabia.

Lobbe destaca Conferência Nacional da Juventude 29 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in JPSDB.
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O deputado Lobbe Neto (SP) destacou em plenário a realização da Conferência Nacional da Juventude, encontro que reúne jovens de todo o Brasil na capital federal desde domingo. Atuante na área, o tucano disse esperar informações, sugestões e reclamações dos jovens sobre as políticas públicas direcionada para essa parcela da população. Ele aproveitou a ocasião para cobrar a aprovação de projetos importantes como o Plano Nacional da Juventude, já pronto para entrar na pauta de votações.

Juventude tucana debate ações e vai a Conferência Nacional 29 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in JPSDB.
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Reunião ocorreu neste domingo no DF

Integrantes da Executiva Nacional da Juventude do PSDB de todo o país se reuniram neste domingo no Hotel Nacional, em Brasília, para definir a linha de atuação dos tucanos na Conferência Nacional de Juventude, que começou hoje e vai até a próxima quarta-feira na capital federal. O colegiado também decidiu ações de mobilização a serem desenvolvidas ao longo do ano.

Segundo o presidente nacional da JPSDB, deputado estadual Bruno Covas (SP), uma das decisões tomadas no encontro é o início da “Mobilização 45″, que consiste na escolha de um dia do mês para movimentar os tucanos em torno de um tema de interesse nacional. O primeiro assunto deve ser o meio ambiente. “A idéia é que a juventude em todo o país chame a atenção para cada um desses temas em suas cidades, via panfletagem, por exemplo, despertando, assim, o interesse da população”, informou.

Outro ponto discutido pelos jovens tucanos foi a criação do Fundo Nacional da Juventude pelo governo federal. O novo mecanismo possibilitará a gestores de políticas públicas em todo o Brasil desenvolver ações voltadas exclusivamente para essa parcela da população. A JPSDB também quer que conste no documento final da conferência a elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição que fale sobre a juventude, dispositivo que não existe na atual Carta Magna.

Executiva debateu linhas de ação da JPSDB

No início da noite de domingo, os integrantes da Executiva receberam 75 delegados do PSDB de todo o Brasil. E também abonaram com orgulho a ficha de filiação ao partido de Mariana Montoro, neta do ex-governador de SP e fundador da legenda, Franco Montoro. Aos 31 anos, ela ocupa o cargo de coordenadora de programas para a Juventude do estado de São Paulo, comandado por José Serra.

“Sempre fui tucana de coração, já que esse é o partido mais capacitado e sério para governar o Brasil. Hoje apenas oficializei a minha entrada no PSDB e vou sempre defender que políticas para a juventude têm de ser levadas a sério, independentemente do governante e do partido que estejam à frente do país”, afirmou.

Os blogs mais populares do Brasil 28 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in Sem-categoria.
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Entre os dias 10 e 21 de março de 2008 foi perguntado a 300 estudantes universitários: 1º — se tinham o hábito de ler blogs na Internet; 2º — sendo a primeira resposta afirmativa, quais eram seus blogs favoritos. Assim como nas pesquisas anteriores, como regra, um único critério: cada participante poderia indicar um número máximo de cinco blogs. Participaram da pesquisa estudantes de 10 universidades brasileiras, são elas: UNIP, UESPI, PUC MINAS, UFMG, UFG, UNB, UCG, UEG, UFRJ, USP. A pesquisa foi feita pelo Laboratório de Pesquisas de Opinião Pública e de Mercado e não tem valor científico. 79 participantes disseram que não são leitores de blogs.

Segue a lista dos 10 blogs mais populares. Notem que dentre eles, dois são sobre política:

1º – Kibe Loco
2º – Blog do Noblat
3º – Sedentário & Hiperativo
4º – Pensar Enlouquece…
5º – Ueba
6º – Favoritos
7º – Reinaldo Azevedo (Veja)
8º – Jacaré Banguela
9º – Brainstorn #9
10º – Revolução Etc.

1º — 78 citações
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2º — 57 citações
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3º — 53 citações
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4º — 51 citações
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5º — 43 citações
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6º — 36 citações
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7º — 28 citações
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8º — 24 citações
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9º — 23 citações
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10º — 21 citações
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Birds of a feather (3) 27 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in JPSDB.
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Caros tucanos, conheçam o site da JPSDB do Espírito Santo clicando aqui.

VEJA: Caiu na rede é peixe 27 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in Revistas Semanais.
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Publicado originalmente na revista Veja (27/04/2008). Artigo de Diogo Mainardi. Íntegra para assinantes, clique aqui.

Quem? Altemir Gregolin? Sim, Altemir Gregolin. É o ministro da Pesca. Para enquadrá-lo melhor: é do PT. Para enquadrá-lo melhor ainda: pertence à corrente mais à esquerda do partido, “A Esperança É Vermelha”, cuja plataforma é “fazer do Brasil uma democracia digna desse nome”.

Em 6 de outubro de 2006, Altemir Gregolin foi a Limoeiro do Ajuru, no Pará. Ele participou de um ato para a entrega de carteiras de pescador aos moradores locais. Fato número 1: era um compromisso oficial, organizado pelo Ministério da Pesca e financiado com dinheiro público. Fato número 2: o ato ocorreu em plena campanha eleitoral, espremido entre o primeiro e o segundo turnos. Altemir Gregolin, cumprindo a promessa de fazer do Brasil uma democracia digna desse nome, decidiu transformar o compromisso oficial num ato da campanha eleitoral de Lula. Lá pelas tantas, em seu discurso, ele disse o seguinte:

– Eu estou achando que vocês são peitudos. Vocês deram para o presidente Lula 6.495 votos, 54% dos votos daqui vocês deram para o presidente Lula. Eu quero agradecer em nome do presidente. Isso é muito importante, vou levar para o presidente, vou mostrar para o presidente.

Depois conclamou, em meio aos aplausos:

– E ainda vai aumentar mais essa votação no segundo turno, não é verdade?

Verdade. Lula aumentou seus votos no segundo turno. O tempo passou e, como todos os outros abusos cometidos no primeiro mandato, o assunto parecia definitivamente enterrado. Até que, no último dia 10 de abril, Altemir Gregolin foi à CPI dos Cartões. Vic Pires, deputado do DEM, interrogou-o sobre os fatos de Limoeiro do Ajuru. O ministro, mais peitudo do que seus pescadores, negou que pudesse ter feito campanha política num ato oficial. A seguir, entrevistado na TV, desafiou Vic Pires a apresentar provas de sua denúncia.

Se é isso que ele quer, eu apresento as provas. O ato público foi todinho filmado. Fiz um pot-pourri dos melhores momentos do DVD e o descarreguei no site de VEJA. Está lá: a chegada do ministro, a entrega das carteiras, o ministro agradecendo em nome de Lula, o ministro pedindo votos para Lula no segundo turno. Depois de ver as imagens, o deputado Carlos Sampaio o denunciou ao Conselho de Ética e à procuradoria-Geral da República. Declarou também que nunca viu um caso mais vexatório do que esse de uso da máquina pública e de improbidade administrativa.

Lula gosta de pesca e de pescado. Entre seus gastos sigilosos, disponibilizados pelo TCU, há desde o caviar comprado no Mercadinho La Palma até os 30 quilos de bacalhau que fartaram sua ceia de Natal. Em 7 de abril de 2003, foi feita uma despesa de 1.480 reais para comprar 1 quilo de barbatanas de tubarão, iguaria conhecida por suas propriedades afrodisíacas. A pesca de tubarões para a retirada de suas barbatanas é proibida no Brasil. A gente sabe, no entanto, que nada é proibido no Brasil lulista, nem a pesca de tubarões, nem o uso de dinheiro público para a pesca de votos.

Para quem já defendeu o impeachment de Lula, como eu, agora só resta defender o indiciamento do ministro da Pesca. É uma perspectiva bem mais mísera. Mas foi o que aconteceu com o país: nossas perspectivas se tornaram bem mais míseras.

ÉPOCA: É COMO PROIBIR A CHUVA 27 Abril 2008

Posted by Gabriel de Azevedo in Revistas Semanais.
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Publicado originalmente na revista Época (27/04/2008). Reportagem de Matheus Leitão e Ronald Freitas, com Wálter Nunes. Íntegra para assinantes, clique aqui.

Por que as regras impostas pela Justiça para controlar a campanha eleitoral pela internet estão condenadas ao fracasso

No início dos anos 2000, as maiores gravadoras do mundo tentaram impedir a troca de músicas gratuitamente, processando o site Napster. O Napster acabou, mas hoje o público que troca músicas sem pagar nada é muito maior. O governo da China impõe severas barreiras a determinados sites, e mesmo assim os chineses burlam as regras. Agora, quem se lança na batalha inglória pelo controle da internet é o Tribunal Superior Eleitoral. Duas resoluções baixadas em fevereiro estabeleceram limites para a campanha eleitoral feita pela rede.

O texto proíbe os candidatos de fazer campanha em sites de relacionamento, blogs ou comunidades fora de sua página oficial de campanha e de pedir doações on-line. Como milhões de pessoas podem fazer isso sem que o candidato saiba, ele precisará provar ao Ministério Público que, pelo menos, fez esforços para tirar o site ou a comunidade do ar. “Esse controle é impossível”, afirma o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj). “A divulgação de uma candidatura pode ser feita por terceiros, e nenhum cidadão pode ser punido por pedir votos, seja pela internet, seja por carta ou por telefone.”

Fora do Brasil, a internet é um poderoso recurso eleitoral. A importância da rede na busca por votos é tamanha que a revista Time afirmou, em sua última edição, que o Partido Democrata tem demonstrado mais competência que o Republicano no uso da internet na pré-campanha pela Presidência dos Estados Unidos. Na disputa ferrenha entre os democratas, a rede tem sido fundamental para a vantagem do senador Barack Obama sobre a senadora Hillary Clinton. Obama tem cerca de 700 mil “amigos” no site FaceBook, uma rede de relacionamento similar ao Orkut, e outros 500 mil no Black Space, uma rede só de negros. A interação entre esses internautas dá impulso à campanha de Obama. Só em fevereiro, o site oficial de Obama arrecadou US$ 35 milhões em doações. Hillary Clinton tem apenas 130 mil amigos no site FaceBook. Sua campanha não foi focada na internet. Ela está atrás na corrida.

Na Inglaterra, a internet não é tão bem aproveitada pelos políticos. Em sua penúltima edição, a revista The Economist afirma que os sites dos principais partidos políticos têm pouco tráfego e lamenta a desvantagem em relação aos EUA. Os partidos ingleses, de acordo com a revista, quase não arrecadam recursos pela internet e fazem pouco para envolver seus simpatizantes com suas causas. Limitam-se, em geral, à velha prática de oferecer um cadastro para quem quiser receber e-mails com informações – um recurso velho e nada criativo.

No Brasil, o uso da internet nas campanhas é menor ainda, mas seu crescimento é inevitável. E as novas regras do TSE já causam embaraço a isso. O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, ganhou apoio de comunidades no Orkut. Um dos sites tem 2.872 membros. “Vou entrar na Justiça para derrubar essa regra. Não se pode reprimir sites, senão voltaremos ao século passado”, diz Gabeira. “Fui obrigado a tirar do meu site um link para um perfil da minha vida feito em outro site.”

Muitos candidatos conhecidos são tema de comunidades no Orkut. Entre eles estão dois pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo – a ministra Marta Suplicy e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab –, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), candidato à Prefeitura de Salvador, e a deputada Luciana Genro (P-SOL-RS), candidata à Prefeitura de Porto Alegre. “Essa regra seria eficaz se fosse criada uma estrutura chinesa de monitoramento”, afirma o cientista político Luciano Barreto, da Universidade de Brasília (UnB).

A internet é tão atraente para a campanha eleitoral que foi o caminho escolhido pelo publicitário Duda Mendonça para voltar ao cenário político. Responsável pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, Duda estava submerso desde 2005, quando admitiu na CPI dos Correios ter recebido no exterior R$ 10 milhões do caixa dois do PT. Na semana passada, ele lançou um blog para falar sobre marketing político. “Eu vou analisar as notícias pelo lado do publicitário”, diz. O blog inaugura a nova fase da carreira de Duda. Ele agora é consultor de campanhas eleitorais. “Antigamente, eu fazia 100% da campanha. Hoje, faço 30%”.

Hoje, são vendidos no Brasil mais computadores que televisores. De acordo com o IBGE, cerca de 49 milhões de pessoas acessam a internet. É impossível tentar isolar as campanhas eleitorais desse avanço. A tendência é que a campanha feita com panfletos e comícios seja substituída pela propaganda on-line. Colocar um dique para limitar a velocidade dessa evolução seria como proibir a chuva de cair.

ÉPOCA: Não basta criticar o modelo neoliberal 27 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Época (27/04/2008). Artigo Fernando Abrucio. Íntegra para assinantes, clique aqui.

É preciso tornar a gestão pública mais ágil e voltada para os cidadãos.

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo e comentado por vários analistas, o professor Luiz Carlos Bresser Pereira resumiu com brilhantismo o fracasso das idéias neoliberais. Em especial, pôs em xeque a noção de que o mercado seria capaz de equacionar sozinho o problema do desenvolvimento das nações. Isso não é válido para os mais ricos, muito menos para os subdesenvolvidos. O Estado tem um papel primordial para o progresso dos povos, inclusive potencializando as qualidades presentes nas práticas mercantis do capitalismo.

Só que a constatação da crise do neoliberalismo e a defesa do reforço do papel do Estado não definem que modelo estatal será necessário para enfrentar os desafios do século XXI. Ao fazer críticas muitas vezes justas às idéias neoliberais, certos políticos e intelectuais sul-americanos propõem o retorno ao padrão de intervenção governamental que vigorava na região na segunda metade do século passado. Eles advogam a (re)estatização de alguns setores econômicos, a prevalência da economia nacional sobre a integração regional e uma administração pública inchada e dominada por suas corporações – em vez de ser orientada pelas demandas dos cidadãos. Acima de tudo, esses saudosistas dão maior importância ao que chamam de desenvolvimento nacional do que a democratização do poder público. Será que as propostas de Chávez na Venezuela e da família Kirchner na Argentina podem ser bons paradigmas a seguir?

Com muito mais importância geopolítica, desenvolve-se na China um modelo bastante crítico ao neoliberalismo. O sucesso econômico dessa experiência é inegável. Houve ainda avanços sociais de grande magnitude, considerando o universo de pessoas atingidas. Mas a desigualdade permanece alta, não só nos indicadores socioeconômicos, como também na forma como o mercado de trabalho funciona – formas de semi-escravidão grassam pelo país. Pior: o autoritarismo é a principal marca do Estado chinês. A opção por esse modelo seria tão custosa quanto acreditar nas ilusões vendidas pelos neoliberais.

Em contraposição a essas duas soluções, o reforço do papel do Estado deve se orientar por três eixos. O primeiro é a conjugação do interesse nacional com a democracia plena. O desenvolvimento das nações torna-se mais sustentável no longo prazo, caso os cidadãos tenham mecanismos para controlar a ação dos governantes. Isso evita a ilusão de progresso que tomou conta de vários países no século XX. Neles, o crescimento econômico foi alcançado com forte intervenção governamental, mantendo ou até aumentando a desigualdade, como bem ilustra a história do regime militar brasileiro.

Um segundo eixo importante é suplantar a visão maniqueísta da relação entre Estado e mercado. É engraçado que tanto os neoliberais quanto certos estatistas partem de um modelo que advoga a separação entre os dois pólos – ou os empresários são os inimigos, ou os agentes públicos devem ter seus poderes reduzidos. A experiência revela que o sucesso na produção de desenvolvimento e de políticas públicas deriva de uma combinação de regulamentações governamentais com práticas mercantis.

O reforço virtuoso do papel do Estado, por fim, vincula-se à modernização de seu aparelho administrativo. Muitos países não caíram no engodo do neoliberalismo e conseguiram mudar o paradigma de intervenção estatal sem optar por um governo minimalista. Tornaram a gestão pública mais ágil e mais flexível, ao mesmo tempo que centraram seu foco de atuação nos resultados e no atendimento das demandas dos cidadãos.

Não basta matar o neoliberalismo, portanto. Existem alternativas diferentes de como reforçar o papel dos governos. A escolha da opção errada poderá, no futuro, levar um analista a decretar a falência do Estado. Não sei se teremos, então, algo a comemorar.

ISTOÉ: Preservar ou integrar? 27 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Istoé (27/04/2008). Reportagem de Hugo Marques. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Polêmica aberta pelo comandante militar da Amazônia revela visões antagônicas de instituições oficiais sobre a maneira de lidar com os índios

A política de demarcação de terras indígenas em áreas contínuas no Brasil está em xeque. Causa espanto, por exemplo, que as 32 reservas nas mãos de tribos em Roraima correspondam a 46% do território do Estado, 103.000 km2, área maior que Portugal (92.345 km2). Os critérios utilizados pelo governo federal provocam discussão apaixonada. De um lado, o Exército, que nunca escondeu sua apreensão com supostas ameaças à soberania nacional e briga pela demarcação em forma de ilhas. Do outro, o governo Lula e as organizações ligadas à causa indígena, que não abrem mão da homologação de reservas em terras contínuas. O tamanho dessa divergência foi explicitada com as declarações do comandante militar da Amazônia, general- de-Exército Augusto Heleno Pereira, no Clube Militar do Rio de Janeiro, no dia 14 de abril. O general disse publicamente o que nove entre dez militares que atuam na Amazônia acham da política indigenista. Classificou-a de “lamentável e caótica” e considerou a homologação contínua “uma ameaça à soberania”. No meio das declarações do comandante, a discussão sobre um caso concreto, a demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. As palavras de Heleno geraram uma crise: militares devem obediência ao governo, e contestá-lo publicamente é considerado um ato de insubordinação. A verdade, porém, é que o posicionamento do comandante da Amazônia está longe de ser um ato isolado. E animou outros militares a se posicionarem também. “Na terra indígena Raposa/Serra do Sol, você tem elementos não-índios que já ocupam a região há muito tempo, que produzem”, disse à ISTOÉ o general-de-brigada Antônio Mourão, comandante da II Brigada de Infantaria da Selva, na região do Alto Rio Negro, onde estão 17 mil índios. “Esse tipo de política não nos favorece. O que se busca em Raposa/Serra do Sol é que haja permeabilidade, aquela famosa demarcação em ilhas”, defendeu, reacendendo a polêmica.

Para Mourão, a política indigenista do governo “pretende segregar o indígena”. E vai além: “É como se esses camaradas não fossem brasileiros”, diz o general. “Você não pode considerar mais aquilo como uma área indígena contígua, porque isso foi interrompido desde o começo do século passado.” Para ele, a demarcação contínua numa área de fronteira é um risco à soberania. Um oficial do Comando do Exército em Brasília concorda com as ponderações de Mourão e Heleno. O Exército teme que algumas das “nações” indígenas decretem independência. Temem ainda que os índios possam ser cooptados por exércitos estrangeiros no caso de um possível conflito.

A posição dos militares está longe de ser consenso no governo. Para algumas autoridades, essa preocupação não tem fundamento. “Não vejo nada que represente perda de soberania com terra indígena na divisa do Brasil. Temos uma base do Exército em Uiramutã, dentro da terra indígena Raposa/Serra do Sol, onde estão construindo casas para militares”, diz o coordenador da Operação Upatakon III, da Polícia Federal, o delegado Fernando Segovia. Ao contrário dos militares, é justamente a partir de uma decisão de não-demarcação contínua da reserva que Segovia teme conflitos mais graves. “Se o STF decidir pela homologação em ilhas, a gente vai ter problemas com os índios que querem a homologação contínua, pois eles estão realmente revoltados.” Depois de fazer um extenso mapeamento do conflito, Segovia contabilizou 18 mil índios dentro de Raposa/Serra do Sol. O problema é que o próprio delegado admite que a decisão pela demarcação contínua também não impede a possibilidade de conflito. Dos 18 mil índios, há 200 que são empregados de fazendas que existem dentro da área, e eles dão apoio incondicional à presença dos patrões. São seis grandes plantadores de arroz e 53 pequenos agricultores. A PF concluiu que estes índios têm suas ações financiadas pelos próprios rizicultores. “Existem 17 lideranças indígenas e todas as 17 estão do lado da homologação da terra contínua”, afirma Segovia. “Os índios que apóiam a homologação contínua anunciaram que vão usar as mesmas táticas de guerrilha dos que apóiam os arrozeiros.”

Raposa/Serra do Sol é, portanto, um paiol de pólvora prestes a explodir. “Os caiapós vão reagir, sempre fizeram guerra”, diz o cacique Megaron, administrador da Funai em Colíder (MT) e líder do Parque do Xingu. “Muito diálogo é melhor que borduna ou metralhadora.” Ele avisa que toda uma legião de guerreiros não aceita discutir homologação de terras indígenas. Questiona o suposto risco à soberania. “Quem fez a fronteira não foi o índio, morávamos lá antes de existir a fronteira e nunca deu problema, tudo era nosso.” O presidente da Fundação Nacional do Índio, o antropólogo Márcio Meira, diz que a posição do governo brasileiro quanto à demarcação contínua é decisão pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Márcio critica os generais que agora forçam as demarcações em ilhas. “Onde você tem homologações em ilhas você tem conflito, como em Mato Grosso do Sul, onde os guaranis vivem sérios problemas de desnutrição e fome.” Márcio não acredita que as nações indígenas representem algum risco à soberania.

A questão sobre a demarcação é tão polêmica que divide até os indigenistas. Um dos mais respeitados especialistas na questão indígena brasileira, José Borges Gonçalves Filho, acha que é necessário rediscutir a idéia da demarcação contínua da reserva, e concorda com o ponto de vista do comandante da Amazônia. Zeca Cabelo de Milho, como é tratado carinhosamente pelos índios, já visitou 80% das terras indígenas do Brasil. Com a autoridade de quem é conselheiro do cacique Raoni, ex-aluno do etnólogo Pierre Verger e ex-auxiliar da psiquiatra Nise da Silveira, Gonçalves Filho considera que o risco de cooptação dos índios por estrangeiros interessados nas riquezas amazônicas é real, e que a defesa dos índios muitas vezes esbarra em conceitos românticos de quem não conhece de fato a realidade. “O general Heleno quebrou essa redoma lúdica em que o índio é tratado como objeto de estudo, dissecado como sapo nas universidades ou tratado como Deus”, diz Zeca. “Confunde-se terra indígena com santuário ecológico. O Exército deve manter domínio sobre linhas de fronteira, pois os agentes externos estão cooptando os índios e a população ribeirinha para produzir riquezas. O que o general falou é verdade.” Recentemente, Zeca ajudou a concretizar um convênio entre o Banco do Brasil e os caiapós, para apoio a projetos de desenvolvimento sustentável na área de extrativismo e comercialização de produtos florestais. “Os índios querem se integrar, produzir, ter acesso à informação, estão sedentos de conhecimento.”

Emenda petista tira R$ 5 bi da Saúde 25 Abril 2008

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Do blog do Josias de Souza:

Lula, a Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional e a imprensa discutem, há 15 dias, um falso problema. Refere-se a um projeto do senador Tião Viana (PT-AC). Foi aprovado, por unanimidade, no Senado. Visava injetar no orçamento da Saúde, até 2011, cerca de R$ 23 bilhões. Sem saber de onde tirar tanto dinheiro, o governo mobilizara seus aliados na Câmara para derrubar a proposta.

Pois bem. Do modo como foi redigido, o projeto não acrescenta um mísero níquel nas arcas da Saúde. Ao contrário. Retira do orçamento gerido pelo ministro José Gomes Temporão mais de R$ 5 bilhões já no ano de 2008. Deve-se a trapaça a um erro de redação. Equívoco que passou batido pelos senadores na hora em que a proposta foi votada.

Nesta quinta-feira, desinformado sobre o erro, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), telefonou para Tião Viana. Disse que submeteria o projeto ao voto dos deputados a despeito da aversão do Planalto. Simultaneamente, Lula, também mal informado, reuniu no Planalto ministros e líderes dos partidos que o apóiam.

O presidente foi taxativo: ou os deputados indicam a fonte do dinheiro ou o projeto de Tião Viana teria de ser esmagado. “Respeitando o equilíbrio fiscal, o governo obteve o reconhecimento do país e do mundo”, disse Lula. “Não vejo razão para modificar esse comportamento agora.”

No Senado, o petista Tião Viana contorcia os miolos às voltas com o verdadeiro problema. Tentava providenciar a correção da proposta desastrosa que o Senado aprovara. Sob pena de impor à Saúde uma marcha a ré orçamentária. Pendurado ao telefone, o senador negociava com os lideres da oposição –Arthur Virgílio (PSDB) e José Agripino Maia (DEM)—a correção do erro. Algo que depende de nova votação.

Eis o DNA do problema: o projeto original de Tião Viana previa um acréscimo de 10% no orçamento do ministério da Saúde. O percentual incidiria sobre a receita bruta da União no exercício corrente. No plenário, injetou-se no projeto uma emenda que substituiu a receita bruta do ano em curso por receita líquida do ano anterior. Deu-se o desastre.

Deve-se a um técnico do Ministério da Saúde a descoberta do malfeito. Em contato com Tião Viana, o servidor alertou-o para o fato de que a proposta, do modo como fora redigida, reduziria em mais de R$ 5 bilhões os já combalidos cofres da Saúde. Alcançados por Viana, Virgílio e Agripino Maia demonstraram boa vontade. Disseram que não se opõem à realização de nova votação.

Chama-se Augusto Botelho (PT-AP) o senador que converteu o projeto de Tião Viana de solução em problema. Botelho fora escalado para atuar como relator da proposta do amigo na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Manteve a redação original. No plenário, porém, os líderes concluíram que a vitamina ao orçamento da Saúde deveria ser administrada em doses graduais.

O relator Augusto Botelho encomendou à assessoria a emenda do gradualismo. O dinheiro extra adensaria o caixa da Saúde em valores que variariam de R$ 8 bilhões a R$ 11 bilhões em 2008. A partir daí, o orçamento seria tonificado ano após ano. Em 2011, o adicional atingiria uma cifra em torno de 23 bilhões. Do modo como foi aprovado, porém, em vez de acréscimo, haveria subtração.

No encontro do Planalto, Lula, deputados e ministros chegaram a debater alternativas para cobrir as despesas que, em verdade, a proposta do Senado, não criara. Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara, sugeriu a recriação do imposto do cheque, com alíquota de 0,20%. Lula não opôs resistência, desde que a recriação do tributo seja embutida na proposta de reforma tributária que tramita no Ciongresso.

Esgrimiu-se uma outra idéia: a imposição de sobretaxas ao comércio de cigarros e bebidas alcoólicas. O presidente, de novo, não pareceu avesso à iniciativa. Deixou claro, porém, que a solução, seja ela qual for, deve ser construída no Legislativo. Com a detecção do erro cometido no Senado, todo esse debate caiu no vazio. O governo e seus aliados erguiam barricadas contra um inimigo inexistente. O problema que se apresenta agora é outro.

Numa frase: o que fará o Senado para evitar que a proposta festejada por toda a comunidade médica retire dinheiro da Saúde? Se vingarem os entendimentos conduzidos por Tião Viana, o senador Augusto Botelho formulará, na próxima semana, uma “questão de ordem” ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Reconhecerá o erro e pedirá uma nova votação.

Vote (de novo) 24 Abril 2008

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Em 2005, a conceituada revista britânica “Prospect and Foreign Policy” pediu votos para os principais intecutais públicos mundiais dentre uma longa lista com 100 participantes.

Esse ano é hora de repetir o exercício, com uma nova lista que reflete correntes inovadoras do pensamento global.

OK, e daí? pergunta um jovem tucano. E daí, que ninguém menos que Fernando Henrique Cardoso é o único brasileiro a figurar na lista. O ex-presidente possui uma vasta obra que dispensa comentários. Você pode votar aqui.

A lista é ponto de partida para uma votação em que o público poderá selecionar os cinco nomes que consideram os mais importantes. Com base nos resultados, a revista criará um ranking dos principais intelectuais por ordem de importância.

O que disseram alguns tucanos de bico largo.

Luiz Paulo Vellozo Lucas (SP)
Presidente do Instituto Teotônio Vilela

Especialmente para as pessoas da minha geração que tiveram o ex-presidente como principal referência intelectual. Na época em que eu participava do movimento estudantil, fui uma das centenas de pessoas que participaram da lendária palestra proferida pelo ex-presidente nos jardins da Universidade de São Paulo, quando um auditório do campus foi insuficiente para comportar todos os estudantes que desejavam ouvi-lo. Não resta dúvida que o ex-presidente é a principal referência intelectual e econômica do PSDB.

Pimenta da Veiga (MG)
ex-Ministro das Telecomunicações e ex-Prefeito de Belo Horizonte

“A sua escolha premia a vida de dedicação aos estudos e à elaboração de teses sociológicas sobre os problemas do país e da América Latina como um todo. Isso simboliza um grande reconhecimento.”

Antonio Carlos Pannunzio (SP)
Deputado Federal

Para nós do PSDB, Fernando Henrique teve uma atuação brilhante como deputado, senador e no comando do Executivo brasileiro e tem até hoje um excelente trânsito internacional. Essa indicação é uma recompensa por tudo isso. Foi a consolidação de uma vida de trabalhos sérios.

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P.S.: Ouvi rumores que Antônio Tabet deseja incluir o Lula na votação.

Duda de volta 24 Abril 2008

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Caros, segue o link do blog do Duda Medonça. Lá, ele faz análises sobre publicidade e marketing político. Confiram clicando no banner abaixo:

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Oba! Oba! 24 Abril 2008

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Comemorem, jovens tucanos!

Nosso blog já pode ser acessado através de um endereço para lá de oficial…

Ao digitar www.jpsdb.org.br, os internautas serão direcionados justamente para o nosso blog.

O blog conta também com um banner de divulgação no site oficial da legenda.

Seguimos. O PSDB, consagrando-se mais uma vez como um partido de idéias, avança no ambiente da web 2.0. É a possibilidade de maior participação dos seus filiados, somando facilidade de acesso à informação e possibilidade de produção de conteúdo e opinião.

Aproveitamos a oportunidade.

Boas Novas: novos inelegíveis 24 Abril 2008

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem projeto de lei do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que torna inelegíveis pessoas que, no exercício de cargos ou funções públicas, tiverem suas contas rejeitadas por irregularidades ou em decisão irrecorrível do órgão fiscalizador competente. A proposta ainda terá de ser submetida ao plenário do Senado, antes de seguir para a Câmara, mas, ainda que a lei seja sancionada no primeiro semestre deste ano, só poderá ser aplicada nas eleições de 2010.

— Estamos procurando preencher, com esse projeto, pontos falhos na legislação sobre a inelegibilidade. É um esforço para moralizar a política e os candidatos, num momento que todos os políticos estão vivendo uma fase de mau julgamento da população — afirmou Tasso.

Ao defender seu projeto, Tasso destacou que, atualmente, os administradores e gestores públicos com contas desaprovadas, seja por malversação ou desvio de recursos públicos, precisam apresentar apenas uma petição para ter o registro de sua candidatura deferido.

Mesa redonda no ninho 23 Abril 2008

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Caros, a pedido de Eduardo Graeff, membro do PSDB em Brasília, venho convidá-los a participar de uma discussão em torno da nossa legenda.

A soma de idéias do debate servirá à construção de peças publicitárias que serão lançadas pelo partido.

Para discutir, clique aqui.

Abraços.

Um governo, muitas versões 22 Abril 2008

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Caros, seguem as manchetes dessa terça-feira:

Folha: Lula contraria paraguaio e diz não renegociar Itaipu

Estadão: Brasil já admite renegociar tarifa de Itaipu com Paraguai

Globo: Lula nega mas Amorim admite renegociar o Tratado de Itaipu

Correio: Paraguai imita Bolívia e põe Brasil na parede

É o governo do unidunitê.

Festa Mineira 21 Abril 2008

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Políticos, artistas e empresários receberam nesta segunda-feira na praça Tiradentes, em Ouro Preto (MG), a medalha da Inconfidência, considerada a mais alta e importante condecoração concedida pelo governo do Estado de Minas.

Durante a cerimônia que contou com a presença do vice-presidente da República, José Alencar, o governador Aécio Neves (PSDB) entregou a medalha a pessoas e empresas que, segundo pelo o governo, contribuíram para o desenvolvimento econômico, cultural e social de Minas Gerais.

Entre os homenageados estão o deputado estadual Bruno Covas (PSDB-SP), presidente da Juventude do PSDB, Reinaldo Oliveira, presidente da Juventude do PSDB-MG e Roberto Tross, ex-representante da JPSDB na executiva estadual, presidente do ITV-BH e coordenador especial de políticas de juventude do Governo do Estado de Minas Gerais.

Aposta nos tucanos 20 Abril 2008

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Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense. Reportagem de Denise Rothenburg e Guilherme Queiroz. Íntegra para assinantes, clique aqui.

Uma pesquisa sobre a sucessão presidencial de 2010 encomendada pela Arko Advice com 126 clientes do mercado financeiro mostra que essa turma prefere o PSDB. E mais: está dividida entre Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo. Diante da pergunta, “se você pudesse escolher, quem seria o próximo presidente da República?”, Serra obteve na contabilidade geral 30,15% dos votos, enquanto Aécio ficou com 28,57%. Geraldo Alckmin aparece em terceiro, com 11,11%. O único petista citado foi Antônio Palocci, que ficou com 1,58%, mesmo percentual de Ciro Gomes (PSB) e Cristovam Buarque (PDT).

Embora nenhum dos economistas entrevistados tenha a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sua candidata, 42,85% deles acreditam que ela será o nome do presidente Lula. Nem essa turma da economia, meio avessa à política, acredita que o PT irá ceder a cabeça de chapa da sucessão presidencial a um candidato de outro partido: 69,84% acham que o PT irá mesmo de carreira solo.

VEJA: Política de Resultados 20 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Veja (20/04/2008). Reportagem de André Petry, de Nova York. Íntegra para assinantes, clique aqui.

De olho em 2010, Aécio colhe saldos positivos – no Brasil e fora dele

“Estou de bem com a vida”, diz o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, enquanto toma um gole de cappuccino numa cafeteria em frente à Union Square, em Nova York. Acreditar em confissão de político pode ser o mesmo que fazer lista de presentes ao Papai Noel, mas não faltam razões para o bem-estar do governador. Na quarta-feira passada, Aécio saboreava em Nova York o saldo positivo de suas movimentações políticas mais recentes. Em Belo Horizonte, patrocinou a aliança entre PSDB e PT para a prefeitura da capital mineira, que está prestes a ser sacramentada. É um trunfo que poderá ser exibido ao país como exemplo de habilidade política e, eleitoralmente, é mais rentável para o governador do que para os petistas. Em Brasília, ele tem sido paparicado pelo PMDB, como ocorreu recentemente, num cortejo que uns interpretam como aceno para que mude de partido, mas outros, talvez mais espertos, entendem que é salamaleque destinado a vitaminar a ambição presidencial de Aécio dentro do PSDB mesmo.

Na semana passada, no lance mais recente, o governador foi recebido com rapapés de estrela pela cúpula do Banco Mundial, em Washington. Para uma platéia de técnicos e representantes de outros países, apresentou Minas Gerais como modelo de gestão. Pode ser exagero, mas o governador ganhou aplausos mais do que protocolares. São bons motivos para seu bem-estar, pois podem aumentar seu cacife no jogo político com vistas a 2010. Na reforma administrativa que começou no primeiro mandato e lhe valeu o convite para falar no Banco Mundial, Aécio saiu de um déficit de 2,4 bilhões de reais em 2003 para um saldo de 3,6 bilhões para investimento neste ano. Contando com estatais, o total de investimento pula para 9 bilhões. De lá para cá, Minas eliminou 3 000 cargos de confiança, aboliu penduricalhos que promovem o crescimento vegetativo da folha salarial, como anuênios e qüinqüênios, e implantou um sistema de avaliação de 150000 servidores parecido com o da iniciativa privada. A secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, contabiliza: “Neste ano, serão distribuídos 130 milhões de reais aos funcionários que cumprirem suas metas”.

Para um estado que há menos de dez anos amargava uma moratória, é um salto e tanto. “Minas fez o que era apropriado para sua realidade, mas tem lições a ensinar a outros estados e outros países”, diz Deborah Wetzel, especialista em setor público que trabalha há duas décadas no Banco Mundial e tem passagem pela Europa e pela Rússia. No primeiro mandato, Aécio chamou a reforma de “choque de gestão”. Agora, batizou sua continuidade de “estado para resultados”. No novo sistema, em vez de se empilharem dados sobre quantas mães foram atendidas em exames pré-natais, exige-se determinada redução na taxa de mortalidade infantil. Por seu comportamento, Minas vai receber no mês que vem um empréstimo de 976 milhões de dólares do Banco Mundial – o maior já feito para governos estaduais ou o federal no Brasil – e não precisará desembolsar um tostão em contrapartida. Terá de cumprir metas. “Melhorar a máquina pública está virando receita para o sucesso político”, diz o sul-africano John Briscoe, diretor para o Brasil no Banco Mundial.

Eis o ponto: sucesso político. Aécio lembra que, de 2003 para cá, arrochou as contas públicas, mas sua popularidade entre os mineiros nunca ficou abaixo de 70%, um índice notável. Talvez por saber que azeitar a máquina e apertar o cinto pode render voto, em sua passagem por Washington Aécio fez questão de jogar confete nos esforços fiscais de sua colega gaúcha, a tucana Yeda Crusius, que comanda um estado com as finanças em frangalhos. Se tudo der certo, Yeda Crusius deve receber já em junho a primeira parcela de um empréstimo total de 1 bilhão de dólares do Banco Mundial. Será o maior da história do banco para o Brasil, superando o de Minas, e também não terá contrapartida financeira. “O Rio Grande do Sul está fazendo agora o que Minas fez há quatro anos”, diz Briscoe. Dando certo, a coisa pode virar a receita tucana para tirar estados do abismo financeiro, e – para deixar Aécio com outro motivo para ficar de bem com a vida – a patente será mineira. O programa “estado para resultados” terá dado origem à plataforma “política para resultados”.

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Aécio (ao centro), na sede do Banco Mundial, em Washington: “Estou de bem com a vida”

VEJA: Selva é com ele 20 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Veja (13/04/2008). Reportagem de Victor De Martino. Íntegra para assinantes, clique aqui.

Comandante da Amazônia ataca a política de fazer reservas indígenas gigantescas

O general-de-exército Augusto Heleno Pereira é um dos poucos comandantes brasileiros com experiência em combate. Foi o primeiro chefe da missão de paz da ONU no Haiti. Já ocupou alguns dos postos mais altos da burocracia do Exército. Hoje, é o comandante militar da Amazônia. Na semana passada, o general Heleno usou todo o seu prestígio para atacar a política indigenista do governo Lula. Durante uma palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, declarou que a demarcação de reservas indígenas na fronteira do país ameaça a soberania nacional. E foi além. O comandante da Amazônia chamou a atual política indigenista de “lamentável” e “caótica”, por impedir não-índios de entrar em reservas e por abandonar as comunidades indígenas à miséria depois da demarcação. As críticas, claro, repercutiram mal, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu que o militar fosse disciplinado. Há poucas chances de que isso ocorra e nenhuma de que surta efeito.

O general Heleno fala com liberdade porque está no topo da carreira, não depende mais de promoções e pode vestir o pijama quando quiser. Em momentos como esse, é comum que os militares soltem a língua. Em 1995, o general Murillo Tavares da Silva malhou um projeto de indenização das vítimas do regime militar. Dois anos antes, seu colega Benedito Leonel invocou a “cólera das legiões” para exigir reajuste nos soldos. Eles, como Heleno, falaram respaldados por seus companheiros de caserna. As Forças Armadas estão justificadamente insatisfeitas com a política da União de entregar territórios vastos e contínuos aos índios, como no caso da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Prova disso é que, dois dias depois do discurso de Heleno, outro general, Luiz Schroeder Lessa, publicou um artigo no qual classifica a criação de reservas na fronteira da Amazônia como “um dos maiores atentados à soberania brasileira com o apoio ostensivo do presidente Lula e a omissão criminosa de seu governo”. Do ponto de vista militar, a avaliação é correta.

Os militares sabem que a Amazônia é uma região de difícil vigilância. De população rarefeita e fronteiras secas na selva fechada, ela se torna extremamente porosa e vulnerável. A doutrina militar defende desde sempre a ocupação e a civilização da Amazônia como a melhor forma de protegê-la. A ameaça de invasão da região por traficantes e terroristas estrangeiros, como os das Farc, é real. Só quem pode contê-la é o Exército. Por isso, é de bom senso sempre ouvir o que os generais têm a dizer sobre a Amazônia.

ISTOÉ: O vôo da sogra 20 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Istoé (20/04/2008). Rudolfo Lago. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Governador do Ceará aluga jato com dinheiro público e leva família à Europa

A longa temporada de caça aos possíveis sucessores do presidente Lula na base governista – que já abateu José Dirceu, Antônio Palocci e feriu com gravidade Dilma Rousseff – agora atinge de raspão o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). O tiro não pegou Ciro, mas seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes. No Carnaval, Cid Gomes fretou um jatinho e viajou pela Europa, acompanhado de sua mulher, Maria Célia, de sua sogra, Pauline Carol Moura, e mais alguns assessores, também acompanhados das respectivas esposas. O vôo custou R$ 388,5 mil. A carreira política de Cid Gomes está inteiramente ligada à de seu irmão presidenciável. Foi pelas mãos de Ciro que Cid chegou ao governo cearense. Ciente do potencial explosivo ao ver o nome do irmão envolvido numa denúncia de uso de dinheiro público para financiar mordomias, Ciro esquivou-se de forma curta e grossa de qualquer comentário: “Não estou a fim de falar desse assunto.” O deputado estadual Heitor Férrer (PDT), autor do pedido de informações, desabafou: “Estamos diante não mais da casa da sogra, mas de um verdadeiro governo da sogra.”

A viagem começou no dia 30 de janeiro e estendeu-se até 9 de fevereiro. O grupo esteve em Madri, na Espanha, Londres, na Inglaterra, Edimburgo, na Escócia, Dublin, na Irlanda, e Berlim, na Alemanha. Além do preço do aluguel da aeronave, Cid e seu assessor receberam R$ 13,8 mil em diárias. Segundo o líder do governo na Assembléia Legislativa, Nelson Martins, do PT, tratou-se de uma viagem de trabalho. Cid participou de uma feira de turismo na Espanha e de dois seminários, sobre fruticultura e energias alternativas, na Alemanha e na Escócia, respectivamente. Também teve contatos com organismos como o Banco Mundial, em busca de recursos para o Ceará.

O jato teria sido alugado porque Cid não conseguiria cumprir em tão pouco tempo a agenda de viagens com vôos comerciais. O que impressiona, porém, é a presença da sogra do governador no tal vôo de trabalho. Em momentos diferentes, Martins tentou justificar a presença. “Ela pagou a despesa dela”, disse, primeiro. “Ela contribui com o Estado”, afirmou, em outro momento. Cid Gomes, em viagem à Ásia na semana passada (desta vez, em vôo de carreira, sem a companhia da mulher ou da sogra), não comentou o caso.

ÉPOCA: O idiota latino-americano é imortal 20 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Época (20/04/2008). Reportagem de José Fucs. Íntegra para assinantes, clique aqui.

Duro crítico do esquerdismo regional, o escritor cubano diz que nossa tradição intelectual é contra o sucesso

O escritor e jornalista cubano Carlos Alberto Montaner, de 65 anos, é um dos críticos mais ácidos – e mais bem-humorados – da esquerda latino-americana. Não poupa nem mesmo o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo apoio que dá a seu colega venezuelano Hugo Chávez. “O Lula faz uma coisa parecida com o que fazia o PRI (Partido Revolucionário Institucional, do México) quando estava no poder: pratica uma política conservadora dentro do país e faz um jogo sujo na política externa”, diz. “Usa seu coração de esquerda no exterior. E, no Brasil, governa com o ventrículo direito.”

No fim dos anos 90, Montaner tornou-se mais conhecido no país com a publicação do livro Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, escrito em conjunto com o colombiano Plínio Apuleyo Mendoza e o peruano Álvaro Vargas Llosa (filho do escritor Mário Vargas Llosa). O livro traçava um retrato patético das idéias revolucionárias que se mantinham vivas na região, no limiar do século XXI, inspiradas no ex-presidente cubano Fidel Castro e no mito de Che Guevara, um dos mais famosos guerrilheiros comunistas da História, morto na Bolívia em 1967.

Recentemente, lançou A Volta do Idiota, também escrito em parceria com Mendoza e Llosa. O livro foi inspirado pela ascensão ao poder de Chávez e dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Equador, Rafael Correa, e até de Lula, no Brasil. “Quando escrevemos o Manual do Perfeito Idiota, acreditávamos que isso era coisa do passado. Agora, descobrimos que não é.

Provavelmente, dentro de dez anos, comprovaremos que o Idiota é imortal”, afirma Montaner. No início de abril, depois de dar uma palestra sobre “Mercados Globais e Estados Nacionais” no Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), em Porto Alegre, ele falou a ÉPOCA sobre seu novo livro, o futuro de Cuba pós-Fidel e sobre os erros cometidos pelas elites latino-americanas.

ÉPOCA – Há dez anos, o senhor escreveu o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. Por que voltar ao assunto agora?

Carlos Alberto Montaner – Quando publicamos o Manual do Perfeito Idiota, acreditávamos, de forma equivocada, que isso era coisa do passado. Agora, decidimos escrever A Volta do Idiota porque descobrimos que não é. Ele sempre esteve aí. Provavelmente, em dez anos, comprovaremos que o Idiota é imortal.

ÉPOCA – A que o senhor atribui o crescimento da esquerda na América Latina?

Montaner – Acredito que isso é resultado dos erros cometidos no passado. A sociedade não se via representada no Estado, não sentia que seus interesses eram atendidos. Deve-se também ao comportamento arbitrário e muitas vezes injusto e à margem da lei das classes dirigentes. A relação entre a sociedade e o Estado estava montada em cima da cumplicidade entre as classes dirigentes e os governantes. Tudo isso foi desgastando a idéia de que a saída para a superação dos problemas se encontrava no trabalho e na responsabilidade.

ÉPOCA – Como o senhor vê o apoio de Lula a Chávez e outros líderes de esquerda da região, como Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador?

Montaner – O Lula faz uma coisa parecida com o que fazia o PRI, partido que governou o México durante sete décadas. Pratica uma política conservadora dentro do país e faz um jogo sujo na política externa. Usa seu coração de esquerda no exterior. E, no Brasil, governa com o ventrículo direito. É lamentável que Lula, que tem um grande respaldo popular dos brasileiros, tenha o repúdio de 60%, 70% dos venezuelanos. Eles o vêem como um aliado de Chávez. Quando as coisas na Venezuela mudarem, a população não vai sentir o governo de Lula como amigo. Vai vê-lo como um governo que ajudou um regime que violou seus direitos.

ÉPOCA – Por que as idéias liberais não prosperam na América Latina?

Montaner – Desde o século XIX até agora, houve a influência de uma das mais perniciosas idéias, que é a crença de que a solução dos problemas econômicos vem do Estado. Isso é assim no Brasil, desde os positivistas e a criação da República, no México e nos demais países da região. Durante todo o século XX, os fascistas, os comunistas, a doutrina social da Igreja, os militares concordavam com esse ponto de vista. O pensamento liberal praticamente desapareceu na América Latina. A idéia de que alguém vai solucionar nossos problemas, que nossas dificuldades são conseqüência de alguém que tirou algo de nós e que depois o Estado virá para solucionar tudo, é poderosa. O populismo tem uma atração muito grande.

ÉPOCA – As pessoas parecem não acreditar na livre iniciativa…

Montaner – A livre iniciativa, o espírito empresarial, não faz parte da tradição latino-americana. Nossa tradição intelectual é antiempresarial, antimercado, contrária ao sucesso. Geralmente, acredita-se que quem conseguiu se dar bem é porque tirou algo de alguém. Isso explica por que alguns povos que eram muito mais atrasados que a América Latina hoje têm um nível de desenvolvimento muito maior. Talvez isso esteja mudando, mas essa é uma batalha longa.

ÉPOCA – O senhor diz que isso explica a reação à globalização, vista como ameaça à cultura regional. E não é?

Montaner – A globalização é a intensificação dos laços internacionais nos terrenos econômico, tecnológico, financeiro. Graças a ela, 300 milhões de chineses e 250 milhões de indianos saíram da pobreza. Acreditar que a globalização é um fenômeno negativo é ir contra os fatos. Creio que esse discurso antiglobalização calcado na soberania nacional, na limitação da atuação nos chamados setores estratégicos a empresas estatais, é um disparate. O problema é que muita gente acredita nisso.

ÉPOCA – A globalização não está pasteurizando as culturas locais com base na cultura americana?

Montaner – A globalização é um símbolo da sociedade ocidental desde os tempos mais remotos. A cultura do poder dominante sempre exerce influência sobre as demais: a religião judaico-cristã, o direito romano, o mundo germânico. Há um processo permanente de mestiçagem. Ao longo do tempo, um centro de poder no mundo ocidental sempre cedeu lugar a outro. Foi assim com Grécia, Roma, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Japão, China. Nada impede que um dia seja o Brasil. É só fazer as coisas certas.

ÉPOCA – Em Cuba, como o senhor vê a transição de Fidel para Raúl Castro?

Montaner – É um passo milimétrico, mas importante. As primeiras medidas que Raúl tomou em poucos meses são melhores que as que seu irmão havia tomado em 50 anos. Agora, os cubanos podem entrar em hotéis para turistas, comprar telefones, computadores, embora ainda não possam se conectar com a internet. Suponho que, em breve, poderão fazê-lo. Mas acredito que, num dado momento, as reformas superarão Raúl Castro e entraremos num processo efetivo de democratização. Os cubanos querem mais que computadores. Querem ter o controle de suas decisões e poder fazer com sua vida o que desejarem. Um dos problemas mais graves dos sistemas totalitários é que eles seqüestram a capacidade dos indivíduos de tomar decisões. Os Estados se convertem em senhores da vida das pessoas. Dizem o que elas podem estudar, onde vão trabalhar.

ÉPOCA – Na área econômica, Cuba ficou para trás…

Montaner – Cuba e Coréia do Norte. É só olhar para a Coréia do Sul hoje para se dar conta dos horrores que acontecem na Coréia do Norte. Com Cuba, é a mesma coisa. É só ver o que aconteceu com os cubanos que saíram da ilha. No último censo americano, do ano 2000, descobriu-se que a segunda geração de cubanos radicados nos Estados Unidos tem um nível educacional e de renda mais alto que a média da população branca americana. Quando o sistema é bom, as pessoas podem se desenvolver.

Semeghini critica restrições ao uso da internet nas eleições 18 Abril 2008

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Ao participar na noite desta quinta-feira do programa Opinião Nacional, da TV Cultura, o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) criticou a possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regulamentar o uso da internet nas campanhas políticas. “É um equívoco tremendo. O que temos de fazer é incentivar o uso da rede da forma mais transparente possível”, destacou.

Conduzido pelo jornalista Alexandre Machado, o debate teve como tema a proibição do uso da internet como mais um meio de divulgação dos candidatos. Após consulta feita à Justiça Eleitoral pelo deputado José Fernando (PV-MG), o tribunal estuda maneiras de disciplinar a ferramenta.

Para o tucano, é inviável usar as mesmas regras vigentes para o rádio e a televisão em uma mídia como a internet. “Não tem que haver lei para a internet, que é uma mídia interativa bem diferente das demais. Vários países do mundo tentaram, sem sucesso, criar uma legislação para essa ferramenta”, apontou Semeghini, que já presidiu a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.

O deputado espera que o TSE, após consultar os parlamentares, use o bom senso e desista de impor normas que já poderiam valer nas eleições municipais de outubro. Também participaram do programa a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), o vereador José Américo (PT-SP) e a diretora do TRE do Paraná, Ana França e Silva, entre outros convidados.

Acesse o site do Deputado Julio Semeghini, clicando aqui.

Ato falho 17 Abril 2008

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A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tida como a pré-candidata preparada pelo governo para concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cometeu uma gafe nesta quinta-feira (17) e chamou de ‘comício’ o evento de vistoria de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Belo Horizonte (MG).

“Eu queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente que hoje animam, sem dúvida, esse comício”, disse a ministra em seu discurso. Clique aqui para ouvir.

AÉCIO NEVES: Novo paradigma para a gestão pública 17 Abril 2008

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Não se trata mais de medir a ação de um governo só pelo que ele investe nas políticas governamentais, mas por seus resultados efetivos

Nesta semana, o Banco Mundial está realizando o seu encontro bianual em Washington (EUA). Entre todos os programas com forte interface com o banco, em várias partes do mundo, Minas Gerais foi o único exemplo de gestão selecionado para ser apresentado como experiência que merece ser conhecida com mais profundidade pelos delegados da instituição.

Desde 2003, Minas vem protagonizando mudanças em uma série de paradigmas da administração pública. Em reconhecimento aos resultados do nosso “choque de gestão”, em 2004 o Estado foi capaz de estabelecer um novo modelo de financiamento público ao contratar uma operação de crédito com o Banco Mundial sem a tradicional contrapartida financeira, substituída pelo alcance de metas e resultados em políticas públicas.

Em razão do êxito alcançado na primeira experiência, adensamos ainda mais o modelo, com o maior contrato de financiamento nessa modalidade concedido pelo banco a um governo estadual na atualidade -quase US$ 1 bilhão, cuja contrapartida está representada por avanços efetivos em campos fundamentais da administração do Estado, traduzidos por 24 metas a serem alcançadas a cada ano, até 2010, contratadas formalmente.

Na prática, significa, por parte do Estado, o compromisso de trabalhar com objetivos precisos, programas exeqüíveis e rígido controle de resultados em áreas diversas do serviço público, como equilíbrio fiscal, desoneração da produção e estímulo ao crescimento, qualidade dos gastos públicos e investimentos na qualificação da escolaridade e da assistência à saúde.

Essa modalidade de operação financeira encontra ressonância em uma nova geração de gestores, que já não se satisfaz apenas com “o fazer” na área pública. Não se trata mais de medir a ação de um governo só pelo que ele investe nas políticas governamentais, mas pelos resultados efetivos que decorrem dos investimentos.

Aumentamos o número de equipes do programa Saúde da Família? Que bom! Mas qual é o avanço concreto que isso traz para as condições de saúde da população?

Ampliamos os investimentos em educação? Nada mais legítimo e importante! Mas como esses investimentos melhoraram concretamente a qualidade da escola oferecida às nossas crianças?
O modelo que estabelece como pilar fundamental dos programas e das ações do Executivo o foco no rígido controle dos resultados finais das políticas públicas dá uma contribuição relevante para banir o fantasma dos governos que, muitas vezes, parecem existir focados apenas em si mesmos, nas suas idéias e iniciativas, sem compromisso com tudo o que delas efetivamente deriva. Além disso, esse modelo recupera um valor essencial da democracia -o de que o Estado existe para servir ao conjunto dos cidadão, e não o contrário.

Mais ainda: reconhece, amplia e aprofunda o conceito de que o desenvolvimento não pode ser medido somente pelo saldo positivo dos indicadores econômicos e de gestão financeira. Tão ou mais importantes -e seguramente mais complexos- que estes são os avanços alcançados no campo social, vistos de forma mais ampla.

Afinal, pouco adianta crescer se não distribuímos, com eqüidade, os bens econômicos, sociais e culturais gerados pelo trabalho conjunto da população. Pouco adianta crescer se esse crescimento agrava e realimenta a concentração de renda e de oportunidades e a diferença dramática entre regiões e pessoas.

Por isso, o modelo de Estado inflexionado para a busca de resultados é tão desafiador para todos nós, governantes, especialmente em um país desigual como o Brasil, onde tradicionalmente se associa quantidade de recursos com o êxito da ação. E onde se confunde intenção com resultados e discurso com realidade.

A oportunidade que nos é dada pelo Banco Mundial de apresentar internacionalmente o modelo mineiro de gestão deve ser entendida como a confiança de uma importante agência multilateral de desenvolvimento em uma nova forma de atuar do poder público e também a constatação de que os governos podem fazer muito quando atuam com responsabilidade e comprometimento, mobilizados por desafios e sonhos coletivos e se colocam ao lado, e não acima dos cidadãos.

AÉCIO NEVES DA CUNHA, 48, economista, é o governador de Minas Gerais (PSDB). Foi deputado federal pelo PMDB-MG (1987-1991) e pelo PSDB-MG (1991-2002) e presidente da Câmara dos Deputados (2001-2002).

É dossiê 15 Abril 2008

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Ponto final.

Para ler mais, clique aqui.

Birds of a feather (2) 14 Abril 2008

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Caros, não deixem de conferir o blog da Juventude do PSDB da cidade de São Paulo. Trata-se de uma inovação digital que integrará o sistema “TUCANO JOVEM” de comunicação, integrado pelo site www.tucanojovem.com.br, e-grupo, Jornal “O Tucano Jovem” e o BLOG, todos parte de uma ação interação por parte da JPSDB-SP.

Leiam e comentem clicando no banner acima!

Birds of a feather 14 Abril 2008

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Caros, já está na blogosfera, desde o dia 02 de abril, o blog da Bancada do PSDB na Câmara dos Deputados. Confiram clicando no banner acima!

Dexuômitrabaiá… 14 Abril 2008

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Do Blog do Noblat:

Por que Lula não chama o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), seu amigo de longa data, e ordena que esqueça essa história de terceiro mandato?

Por que não chama o prefeito do Recife João Paulo, membro do Diretório Nacional do PT, e não o manda calar a boca sobre o mesmo assunto?

Por que não enquadra o vice-presidente da República José Alencar, partidário da permanência dele no poder por mais tempo?

Por que não instrui o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, para que contenha o assanhamento do seu partido favorável em segredo ao terceiro mandato?

De quebra, poderia advertir seus auxiliares diretos: “Quem plantar notinhas em jornais sobre o terceiro mandato será demitido na hora”.

Duvido que Lula não tivesse êxito.

O legado de Sérgio Motta 13 Abril 2008

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Artigo de Ethevaldo Siqueira

“Num futuro muito próximo, você poderá comprar seu celular em lojas e até mesmo em postos de gasolina. Em poucos anos, o Brasil terá milhões de usuários e diversas operadoras em regime de competição. Em muitos casos, o assinante poderá receber o aparelho de graça, pagando apenas os serviços.”

Essa era a previsão que o ex-ministro das Comunicações, Sérgio Motta, fazia em 1996 para o futuro da telefonia celular brasileira, quando o País promovia o primeiro leilão de licenças de banda B, iniciando o processo de competição nesses serviços. Pouca gente acreditava na visão otimista do ministro que ousava quebrar os velhos paradigmas de um setor estagnado e quase sem futuro como eram as telecomunicações no começo dos anos 1990. A previsão de Serjão se confirmou e não surpreende mais a ninguém. O Brasil de 1996 tinha pouco mais de 2 milhões de celulares. Hoje tem 125 milhões. Pena que não tenha vivido para comemorar esses resultados e, em especial, os do modelo de privatização da Telebrás, pois faleceu no dia 19 de abril de 1998.

Como brasileiro, sinto-me no dever de relembrar um pouco do trabalho do ex-ministro, neste décimo aniversário de sua morte. Conheci-o nos tempos de nossa política universitária em plena ditadura. Embora distantes e sem muito contato pessoal, pertencíamos à mesma organização de resistência, a Ação Popular (AP). Reencontrei Sérgio Motta no final de 1994, logo que ele recebeu o convite para ser ministro das Comunicações do presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso.

Embora fosse engenheiro e cidadão profundamente interessado nos problemas nacionais, Sérgio Motta não tinha experiência em telecomunicações. Por isso, ao formar o grande círculo de discussão do futuro do setor, me pediu para indicar os nomes dos melhores profissionais e especialistas que, em minha opinião, pudessem dialogar com ele.

Sérgio Motta tinha paixão pelo debate. Depois de mais de dois meses de discussão, convenceu-se de que, diante do esgotamento do modelo estatal, não havia outro caminho para o País do que privatizar. Foi assim que, com sua determinação e o apoio de Fernando Henrique, conseguiu fazer pelo País o que, talvez, nenhum outro ministro das Comunicações pudesse fazer.

Em pouco mais de seis meses, Sérgio Motta conseguiu convencer o Congresso a mudar o artigo 21da Constituição, que só permitia a exploração dos serviços de telecomunicações por empresas estatais. Em 1996, introduziu a competição no celular, com o leilão da banda B, que rendeu mais de R$ 8 bilhões.

“Temos que fazer uma boa privatização, com uma lei geral, uma agência reguladora profissional e independente”, alertava. “Pior do que manter qualquer sistema estatal é fazer uma privatização desastrada.”

Para que o País aprendesse com a experiência internacional, enviou três assessores ao exterior para levantar em vários países os modelos mais modernos de privatização, de legislação e de agências reguladoras. Contratou consultorias internacionais para levantar o valor real da Telebrás e definir a melhor estratégia privatização. E, com sua experiência e sabedoria política, soube esquivar-se de todos os lobbies – de sindicatos, de empresários e de investidores. Em julho de 1997, depois de quase um ano de intensos debates, o Congresso brasileiro aprova a Lei Geral de Telecomunicações, então uma das mais modernas e completas do mundo, trazendo em seu bojo as linhas gerais do novo modelo regulatório, com a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Em novembro de 1997, instala-se a agência, dirigida por cinco profissionais competentes e respeitados. Tudo caminhava muito bem com o projeto de reestruturação das telecomunicações, menos a saúde do ministro. Depois de recuperar-se de um enfarte em setembro de 1997, Sérgio Motta passou a lutar contra uma velha infecção pulmonar, que se agravou no início de 1998.

Poucos minutos antes de ser internado na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo – de onde não sairia com vida -, o ex-ministro Sérgio Motta encaminha ao presidente Fernando Henrique um fax com a mensagem manuscrita, em que praticamente se despede do amigo, agradece seu apoio ao projeto de reestruturação geral das telecomunicações e pede, no final: “Não se apequene, presidente. Cumpra o seu destino histórico. Coordene as transformações do país”.

Sem Sérgio Motta, a privatização da Telebrás foi conduzida pelo novo ministro, Luiz Carlos Mendonça de Barros. No leilão realizado no dia 29 de julho de 1998, a Telebrás e suas subsidiárias foram vendidas por R$ 22,26 bilhões, o que representa quase US$ 19 bilhões. Era a maior privatização de telecomunicações da década.

Para os que ainda duvidam do acerto da privatização das telecomunicações, bastam dois indicadores. Primeiro quanto ao número de telefones ou acessos fixos e móveis. De pouco mais de 24,5 milhões em julho de 1998, o Brasil passou para quase 170 milhões hoje, o que representou um crescimento físico de 600% e um salto na densidade, de 14 telefones por 100 habitantes para os 91 atuais.

VEJA: Fazer dossiê não é crime? 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Veja (13/04/2008). Reportagem de Alexandre Oltramari. Íntegra para assinantes, clique aqui.

O ministro da Justiça não vê problema em montar banco de dados contra adversários

O governo se contorce há mais de vinte dias tentando apresentar uma explicação minimamente convincente para a montagem do dossiê com informações sobre as despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Primeiro, disse que a história não passava de uma grande mentira. Depois, admitiu que as informações integravam um inocente banco de dados montado a pedido do Tribunal de Contas da União. Por último, apontou como responsável pelo trabalho sujo um suposto espião que teria inventado tudo para provocar um escândalo. Na semana passada, o caso continuava sem solução – apesar das fartas evidências levando aos autores. Ainda assim, em uma estranha inversão de prioridades, a Polícia Federal foi convocada a ajudar, mas, em tese, apenas para descobrir quem revelou a existência do dossiê – não para apanhar quem o produziu. A primeira ação dos agentes foi apreender os computadores dos funcionários do Palácio do Planalto que supostamente tiveram acesso aos dados. A melhor contribuição para compreender a gênese do problema veio do ministro da Justiça, Tarso Genro. Para justificar a orientação do trabalho policial, ele disse que montar dossiês contra adversários políticos não só é necessário como também é correto. Ou seja, praticamente admitiu que o governo fez, sim, o dossiê, mas nada tem a ver com sua divulgação.

“Fazer relatórios, organizar dossiês de natureza política, coletar dados, fazer anotações para uso do administrador, nada disso é um tipo penal”, disse o ministro em entrevista ao jornal Correio Braziliense na última sexta-feira. Em outras palavras, vasculhar as informações sobre um adversário não é crime, e, se não é crime, o governo pode fazê-lo, desde que não divulgue. É um conceito estarrecedor, principalmente vindo de quem veio. Tarso Genro tem a obrigação de zelar pelo estado de direito. Ao defender a possibilidade de a máquina pública ser acionada para atender a interesses políticos, o ministro abre as portas do governo a toda sorte de ilegalidade. Se isso virar regra, nada impede que o Banco do Brasil, por exemplo, produza dossiês com informações sobre a movimentação bancária dos parlamentares-correntistas, desde que, é claro, não as divulgue. Nada impede que a Receita Federal prepare um dossiê sobre partidos políticos que não cumprem integralmente suas obrigações fiscais, desde que também não as divulgue. Se por acaso as informações forem divulgadas, que se puna o responsável, independentemente do prejuízo que isso possa provocar aos personagens vítimas da arapongagem oficial.

No caso do ex-presidente Fernando Henrique, deu-se que o dossiê foi feito, vazado em parte para parlamentares do governo e para jornalistas. Os primeiros usaram as informações para cochichar ao pé do ouvido dos adversários: “Cuidado, os gastos do seu presidente são mais difíceis de explicar do que os do meu”. Os jornalistas deram notinhas em colunas reproduzindo mais ou menos o efeito do cochicho. Erenice Guerra, a secretária executiva da Casa Civil apontada como chefe da equipe de produção do dossiê, não sofreu ainda nenhuma admoestação. Ao contrário, ganhou um prêmio. Foi confirmada como a mais nova integrante do Conselho Fiscal do BNDES, o que lhe garantirá uma renda extra de 3 500 reais por mês. A depender de Tarso Genro, ela continuará sem ser incomodada. “Isso é selvageria. O governo está reeditando e enriquecendo as práticas mais nefastas do passado. A privacidade das pessoas não pode ser usada no jogo político em hipótese alguma. Nem Milton Campos, o primeiro ministro da Justiça do regime militar, foi capaz de dizer isso”, afirma Paulo Brossard, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.

As declarações do ministro Tarso Genro só surpreendem porque ele defende a confecção de dossiês políticos dentro do governo. Os petistas, porém, há muito tempo descobriram na produção de dossiês um método eficaz para combater os adversários. Não é de agora. Uma reportagem de VEJA publicada em 2003 mostrou que o partido reuniu uma espécie de tropa de elite para fulminar os adversários do candidato Lula à base de dossiês na campanha presidencial de 2002. O grupo se reunia em São Paulo, era financiado com dinheiro da CUT e tinha entre seus generais figuras como Ricardo Berzoini, atual presidente do partido, e Osvaldo Bargas, amigo pessoal do presidente Lula. O trabalho foi concluído com discrição, embora seus resultados tenham provocado um tremendo estrago nas campanhas adversárias. O êxito em operações dessa natureza levou Ricardo Berzoini e Osvaldo Bargas a tentar repetir a dose na campanha da reeleição, em 2006, usando dos mesmos ardis. Daquela vez, porém, deu tudo errado. A polícia prendeu uma parte do grupo no momento em que tentava comprar um dossiê contra os tucanos. Tarso Genro não era ministro da Justiça, mas mesmo assim ninguém foi punido.

VEJA: A assombração do continuísmo 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Veja (13/04/2008). Reportagem de Marcelo Carneiro e Otávio Cabral. Íntegra para assinantes, clique aqui.

A idéia de um terceiro mandato consecutivo para Lula volta a circular em Brasília. O presidente já
disse que isso é brincar com a democracia. Mas, pelo jeito, seus amigos e aliados precisam receber dele uma mensagem ainda mais enfática

É uma idéia estapafúrdia que, volta e meia, reaparece no noticiário político, oriunda do baú dos ideólogos da esquerda marxista e dos parlamentares fisiologistas de qualquer espectro – a de mudar a Constituição brasileira e permitir que o presidente Lula possa concorrer a um terceiro mandato em 2010. Na visão obtusa e esquemática dos ideólogos, a justificativa é que a chegada de um ex-operário ao Planalto representaria o “fim da história”, com o povo instalado no poder, e, então, para que fazer eleições? É Lula lá até quando a biologia permitir… Nessa visão, a saída de Lula significaria, assim, um retrocesso na marcha para o socialismo, sendo o terceiro mandato apenas uma etapa para, se tudo der certo, a manutenção vitalícia do companheiro na Presidência da República Popular do Brasil. Na visão igualmente obtusa, mas pragmática, dos fisiologistas, dar ao presidente a possibilidade de ter mais um mandato consecutivo seria a forma de esticar a boquinha que eles e seus apadrinhados têm no atual governo. Boquinha, não, bocarra. Há, pelo menos, 10 000 petistas em cargos de confiança na administração federal. Boa parte deles são pelegos da república sindical – aquela gente que organizou dias atrás um convescote no Salão Negro do Congresso para comemorar o presentão que Lula lhe deu, ao vetar a fiscalização da dinheirama que os brasileiros que pagam impostos entregam aos cofres das centrais sindicais. “Os dirigentes sindicais, na gestão petista, passaram a ocupar muitos postos-chave do governo”, afirma o sociólogo Leôncio Martins Rodrigues. “Uma vez instalados lá, não pensam mais em voltar para o trabalho na fábrica.” Esse é o caldo principal no qual é cozida a idéia de um terceiro mandato.

A maioria dos políticos governistas nega o namoro com essa aberração. “Anuncio desde já o apoio à volta de Lula à Presidência em 2014 ou 2015. Mas em 2010, não, de maneira nenhuma vamos apoiar essa iniciativa”, diz o deputado Luciano Castro, líder do PR. “O país tem uma Constituição que precisa ser respeitada e não pode ser mudada para se adaptar à conveniência de cada governo”, afirma o senador petista Delcídio Amaral. O próprio Lula, que sempre rechaçou mais um mandato consecutivo em pronunciamentos oficiais, voltou a declarar na semana passada, durante uma entrevista coletiva na Holanda: “Sou contra o terceiro mandato porque a democracia é um valor incomensurável com o qual não podemos brincar. E, segundo, a alternância de poder é uma coisa extremamente saudável para o país”. Ele acrescentou: “Qualquer pessoa que se ache imprescindível começa a colocar riscos à democracia. Pobre do governante que começa a achar que é insubstituível ou imprescindível. Está nascendo, dentro dele, uma pequena porção de autoritarismo ou de prepotência. E isso eu não carrego na minha bagagem política”. Lula foi contundente, mas ainda não o suficiente para convencer sua própria corte. A verdade é que planos para esticar o mandato do presidente continuam sendo gestados e ficam a cada dia mais mirabolantes.

Sem que haja um candidato do PT com reais oportunidades de suceder a Lula em 2010, a tese do terceiro mandato anda açulando ainda mais a imaginação de pessoas bem próximas ao presidente – e é isso que faz com que a veemência de Lula contra a proposta seja vista com uma dose de desconfiança. O deputado petista Devanir Ribeiro, compadre e amigão do presidente desde os tempos do ABC (ambos até passaram o réveillon juntos, na Granja do Torto), parece ter a missão precípua de soltar balões de ensaio para ver se a coisa cola. De quando em vez, ameaça apresentar um projeto de emenda à Constituição. Na semana passada, depois de idas e vindas, ele acabou adiando de novo a sua proposta. A rejeição quase absoluta à tese de um terceiro mandato, segundo o parlamentar, fez com que ele modificasse “um pouco” o seu projeto. Devanir, agora, pretende acabar com a reeleição, prorrogar o mandato do amigo Lula até 2011 ou 2012 e deixar uma brecha legal para um novo mandato – que ele chama de “nova eleição” e não de reeleição.

Na última quarta-feira, em uma conversa no plenário da Câmara, Devanir revelou a VEJA os detalhes de sua nova sacada: vai propor – nesta semana, segundo ele – um mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos, de vereador a presidente da República. Ao mesmo tempo, quer aprovar a unificação do pleito para que todos os cargos sejam disputados de uma vez a cada cinco anos. Para que essa coincidência de datas ocorra, o deputado vai propor que o atual mandato de Lula, dos governadores, senadores, deputados federais e estaduais seja ampliado para mais dois anos. “Aí teríamos uma eleição única em 2012. A partir daí, todos os políticos teriam mandato de cinco anos. É uma proposta coerente, que traz economia de recursos ao reduzir o número de eleições”, disse Devanir. Resumindo: pela proposta do deputado muy amigo, Lula, de imediato, já ganharia mais dois anos de mandato. Se o plano der inteiramente certo, o presidente ainda poderá se candidatar em 2012 a mais cinco anos de mandato. Não seria re-reeleição, mas uma eleição baseada em “novas regras”. Ou seja, o projeto de Devanir daria ao presidente a chance de ficar quinze anos seguidos no poder. Na história republicana, ele se igualaria ao ditador Getúlio Vargas, que comandou o Brasil por quinze anos seguidos. “Lula não tem por que ser contra. O que vou propor agora não é plebiscito nem terceiro mandato”, devaneia Devanir.

O deputado balonista não é uma voz solitária na Câmara. Os petistas Carlos Santana (RJ) e Marco Maia (RS) já anunciaram que vão insistir na continuidade de Lula na Presidência, mesmo que para isso seja preciso pegar um atalho na democracia. Os petistas querem propor a realização de um plebiscito para saber o que os brasileiros pensam sobre o assunto. Para isso, precisam apenas de metade dos congressistas. Seria um plebiscito diferente, não apenas consultivo, mas com força de lei – algo semelhante ao que Hugo Chávez fez na Venezuela recentemente e que resultou num sonoro “no!” dos eleitores. Plebiscitos são um instrumento válido, desde que não sejam usados como arma contra a democracia. Em 1993, os brasileiros foram às urnas para opinar se o regime político do país deveria ser presidencialista, parlamentarista ou monarquista. Nenhuma das três opções significaria o fim das conquistas democráticas. Já o plebiscito imaginado pelos petistas e ancorado na alta popularidade de Lula seria destinado a torpedear a democracia representativa e, por tabela, uma de suas pedras angulares: a alternância no poder.

Um terceiro mandato consecutivo – para Lula ou qualquer outro nome – seria nefasto para o Brasil. E também para a biografia do presidente. A história mostra que aumento da corrupção, desordem na economia e restrição às liberdades costumam ser o legado dos governantes que resistem a deixar o cargo. “A manutenção no poder, por longo período, de um governante ou grupo político potencializa o risco de retrocesso econômico”, diz o professor da Universidade de São Paulo Júlio Pimentel Filho, especialista em América Latina. No México, os 71 anos ininterruptos de domínio do Partido Revolucionário Institucional (PRI) atrasaram em décadas o avanço do país. Nos anos 50, enquanto seus vizinhos latinos ingressavam em um ciclo de desenvolvimento, os mexicanos sofriam com a teimosia do partido na continuidade de uma política agrária voltada para a subsistência. No Paraguai, o longo reinado do Partido Colorado, que permanece no poder até hoje, ajudou a florescer a corrupção, o contrabando e o narcotráfico.

“A alternância de poder é essencial, também, porque permite a renovação de idéias e a vigilância sobre o uso da máquina do estado. Além disso, evita um grande perigo: o de um vácuo de lideranças – condição fundamental para perenizar ditadores”, afirma a cientista política Lucia Hippolito. Para o jurista Saulo Ramos, a perpetuação de um presidente ou de um único partido tem como corolário a deterioração dos princípios éticos. “A corrupção aumenta e generaliza-se, porque os governantes e seus acólitos adquirem a certeza da impunidade que o poder político infunde aos que fazem dele um meio de servir-se.”

A alternância de poder nasceu na Grécia antiga e serviu como base da revolução inglesa do século XVII, que marcou o rompimento com o absolutismo. Para os revolucionários ingleses, a figura do rei como fonte única de poder era inaceitável. Os americanos, herdeiros diretos do liberalismo inglês, levam tão a sério esse princípio que ao presidente dos Estados Unidos só é permitida uma única tentativa de reeleição. Após cumprir dois mandatos, ele nunca mais poderá se candidatar ao cargo. Esse limite foi imposto depois que Franklin Delano Roosevelt conseguiu seu quarto mandato consecutivo. O exemplo de Roosevelt, por sinal, é invocado pelos adeptos de um terceiro tempo para Lula. Eles se esquecem de que os Estados Unidos enfrentavam, então, uma guerra na Ásia e na Europa e não deviam apresentar divisões internas diante do inimigo. Nada que se compare à tranqüila situação do Brasil nos dias de hoje.

No caso brasileiro, é preciso atenção redobrada, uma vez que a regra do jogo presidencial tem sido mudar a regra – sempre em favor de quem está no cargo, é claro. Para ficar apenas nos governantes do período pós-regime militar, José Sarney esticou seu mandato em mais um ano e Fernando Henrique Cardoso emplacou uma emenda à Constituição que lhe deu o direito de disputar – e vencer – a reeleição. Essa é, inclusive, a tese esgrimida pelos petistas para justificar uma nova mudança na lei, como se dois erros fizessem um acerto. Enquanto o balonista Devanir solta seus aeróstatos para o distinto público, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), costuram no Congresso a aprovação de uma reforma política que começaria pela abolição do instituto da reeleição e pela extensão do mandato para cinco anos. Berzoini e Fontana têm apresentado a seus interlocutores um levantamento mostrando que, apesar de a atual legislação prever um mandato de quatro anos, na prática os presidentes brasileiros nunca mantiveram essa regularidade. O prazo, segundo eles, teria sido uma mera cópia da Constituição americana pela primeira carta da república brasileira, de 1891. Mesmo assim, afirmam, depois de 1930, os mandatos presidenciais foram definidos muito mais pela força do presidente do que pela letra da lei.

Nas conversas que têm mantido com políticos de outros partidos, Berzoini e Fontana não deixam claro se as mudanças já valeriam para Lula, que poderia, então, concorrer à reeleição pela segunda vez. A clareza fica por conta do bom e confiá-vel Devanir. De qualquer modo, na gestão petista, alguns dos malefícios da ausência de alternância no poder já são uma realidade. “Tudo começa com uma sensação de onipotência e termina em um estado policial, que controla a vida dos cidadãos. No atual governo, o caso do dossiê é um exemplo disso”, diz o deputado federal Fernando Gabeira, apontando uma das evidências de que o vírus do continuísmo infectou os petistas. Para o cientista político Rubens Figueiredo, “o PT já deu mostras de que não se incomoda em desrespeitar os limites institucionais”. Alterar novamente as regras do jogo seria, então, apenas mais um movimento no tabuleiro em favor da permanência do grupo político hoje instalado no Planalto. E contra o Brasil.

VEJA ouviu na semana passada ministros do Supremo Tribunal Federal, que se manifestaram sobre o terceiro mandato com a condição do anonimato, pois podem vir a ter de julgar o assunto. O entendimento geral é que a corte será provocada a opinar sobre a legalidade de qualquer emenda à Constituição que altere a duração do mandato presidencial. Nos últimos anos, o STF passou a examinar com mais freqüência a legalidade de decisões tomadas pelo Congresso sobre legislação eleitoral. Foi assim em relação à verticalização de alianças e à fidelidade partidária. E assim será em alterações no mandato presidencial. A aprovação direta de uma emenda que permita o terceiro mandato levaria mais polêmica ao tribunal. Três ministros entrevistados avaliaram que seria um “casuísmo” sem precedentes no mundo democrático. Portanto, os três votariam pela derrubada da emenda. Alguns magistrados, porém, entendem que, apesar do casuísmo, o Supremo não teria condição de anular a decisão do Congresso, que é soberano. “No entendimento majoritário do STF, estaria configurado um golpe constitucional, contra o qual não se poderia fazer nada”, diz um dos ministros da corte.

Já o plebiscito e a possibilidade de uma “nova eleição” para Lula não encontram sustentação legal alguma, segundo os ministros. “Essa tese de zerar o jogo só é defendida por juristas de encomenda. Quando a reeleição foi aprovada, em 1997, alguns dirigentes do PSDB tentaram emplacar a tese de que Fernando Henrique poderia disputar mais duas eleições com a regra nova. Ninguém sério do meio jurídico aceitou o argumento”, afirma outro ministro. A adoção de um terceiro mandato apenas por plebiscito também é fortemente questionada. Para os ministros, não é legal modificar cláusulas pétreas da Constituição por consulta popular sem a chancela do Congresso. “Esse tipo de democracia direta é típico de republiquetas que não prezam pelo respeito à democracia ou à lei. O Brasil já tem um Congresso eleito legalmente, que representa o povo e deve tomar as decisões por ele”, diz um deles. Além disso, a mudança constitucional por plebiscito abriria um precedente perigoso. Todo obstáculo a um governo com grande popularidade, como o atual, poderia ser removido por decisão do povo. Isso poderia implicar a dissolução do Congresso ou do próprio Supremo. A primeira autoridade do Judiciário a declarar publicamente sua oposição ao continuísmo de Lula foi o novo presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros: “A alternância no poder é salutar. Como cidadão, eu me preocupo muito com a mudança das regras no meio do jogo. Um dos grandes males para o direito eleitoral foi a instituição da reeleição. Ela foi extremamente negativa”.

O PT convocou reunião da executiva nacional para discutir o tema do terceiro mandato nesta terça-feira. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, a petista do tucupi, chegou a soltar uma nota pública, defendendo a ruptura da lei para a permanência de Lula. De ruptura da lei ela entende. Outros aliados preferem dar um apoio mais contido, como o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), ex-ministro das Comunicações de Lula. O presidente falou sobre o tema em encontro com quatro senadores do PDT na terça-feira 8. Disse ele: “Mesmo que o PT viesse em peso reunido aqui me pedir para apoiar o terceiro mandato, eu não aceitaria. Eu rompo com o PT se o partido começar a pregar a defesa de um terceiro mandato”. Como é de seu estilo, Lula acabou deixando uma brecha, dizendo que não vai desestimular o debate “porque é bom saber que me querem”.

Ser dúbio nas questões que dizem respeito a seu futuro político, mesmo que imediato, é uma das marcas registradas de Lula. Ele sempre agiu assim. Todas as vezes em que foi candidato – até mesmo na campanha para reeleição, em 2006 –, ele deixou para a última hora a definição. Seu instinto foi recompensado sempre. Como não existiu no passado recente – nem existe agora – no espectro de esquerda nenhum nome com a mesma estatura de Lula, a indefinição acaba conspirando a favor dele. Ela agora tem dois efeitos. Primeiro, mantém o nome de Lula sempre no primeiro plano da política, o que lhe agrada muito. Segundo, alimenta o entusiasmo em torno do terceiro mandato, o que ele afirma ser um estorvo. Lula pode mudar de idéia se sua continuação no Planalto for “a vontade do povo”? Devanir esteve com o presidente pelo menos quatro vezes desde que se começou a falar em terceiro mandato. Em nenhuma delas lhe foi pedido que abortasse a proposta. A primeira foi em 6 de novembro do ano passado, no gabinete de Lula. Além dos dois, estavam presentes o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Lula perguntou: “Que história é essa de terceiro mandato, Deva?”. Devanir explicou sua proposta. Lula apenas sorriu e completou: “É cada uma que me aparece…”. Depois, estiveram juntos no Ano-Novo. Devanir avisou que, no início do ano legislativo, apresentaria a proposta. Já neste ano, o deputado foi uma vez ao gabinete presidencial e outra ao Palácio da Alvorada. Relatou como andava seu projeto. De acordo com o que disse a colegas, Lula jamais pediu que ele desistisse, embora tampouco tenha dado apoio explícito. “É lógico que se o Lula mandasse eu desistiria”, disse o deputado a amigos. É o velho instinto de Lula de novo em ação.

ISTOÉ: Devanir, o oportunista 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Istoé (13/04/2008). Brasil. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Enquanto colhe assinaturas para uma emenda pelo fim da reeleição, deputado petista defende plebiscito sobre terceiro mandato para Lula

Com um jeito acelerado de falar, comendo algumas sílabas, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) acende um cigarro e solta uma peculiar explicação para as cheias que estão assolando o Nordeste. “Durante anos, o povo lá rezou para que chovesse, mas não esperava o resultado e acabava migrando para São Paulo”, explica. “Aí, Deus atendia, mas como o povo já não estava mais lá, a chuva caía no Sul. Agora, com as políticas sociais do Lula, o povo não sai mais do Nordeste, e Deus está atendendo lá mesmo às suas preces.” A tese de Devanir sobre as chuvas nordestinas serve para explicar duas coisas. Primeiro, a convicção do deputado de que a vontade do povo pode tudo, até mesmo fazer chover. A segunda coisa, o acerto, na sua concepção, da administração de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, e as razões pelas quais ele deveria ficar por mais um mandato. “Eu estou com o povo. Se o povo achar que ele tem que ficar por mais tempo, isso tem que ser respeitado”, diz ele.

Aos 64 anos, Devanir, um dos mais próximos amigos de Lula no Congresso Nacional, é o pivô das articulações para fazer com que o presidente permaneça no cargo por mais um mandato. É por conta desse pensamento de Devanir que boa parte do Congresso olha desconfiada para uma emenda constitucional que o deputado propõe e para a qual agora colhe assinaturas. Essa emenda não fala em terceiro mandato; visa, ao contrário, extinguir a reeleição, mas dando mais um ano de mandato ao presidente, aos prefeitos e aos governadores. O problema é que Devanir, ao mesmo tempo, sugere a idéia de um grande plebiscito para discutir todo o seu modelo político. “No fundo, o que eu quero é travar uma grande discussão com o eleitorado, na qual as pessoas dissessem o que querem sobre regime de governo, mandatos, etc.”, prega ele. “Qual é o problema de se consultar o povo? O povo tem o direito de manifestar o que deseja. Se o Lula não quiser mais um mandato, basta ele não disputar”, raciocina.

A emenda Devanir não propõe esse grande plebiscito, mas como ele não esconde esse propósito e o tema do terceiro mandato começa a ser repetido também por outras figuras ilustres do PT e do governo, como o vice-presidente José Alencar, teme-se que a idéia do plebiscito acabe aparecendo no meio da tramitação da emenda. “Com os votos do PMDB, ele não deve contar”, afirma o líder do partido, Henrique Eduardo Alves. A desconfiança chega até ao PT: “Acho que essa não é uma discussão conveniente agora”, rechaça o líder Maurício Rands. Alheio à polêmica, Devanir avisa: “Eu vou continuar tentando.”

ISTOÉ: Uma rainha conectada 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Istoé (13/04/2008). Comportamento. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Rania, da Jordânia, leva seu ativismo social para o YouTube

Ela é linda, inteligente e milionária. Vive num universo de conto de fadas, cercada de todas as mordomias. Estampa as revistas de celebridades do mundo todo, mas ficou internacionalmente conhecida por seu ativismo social. Nem precisava, mas Rania ainda é rainha. A carismática exilada palestina casada com o rei Abdullah, da Jordânia, encarna a melhor representação da mulher do mundo árabe para o Ocidente. E faz questão de abrir todos os canais de diálogo possíveis para defender suas causas. A mais nova ferramenta é um recém-inaugurado canal no YouTube.

No primeiro vídeo postado, em preto-e-branco, a rainha defende, em inglês fluente, as novas tecnologias como instrumento para o entendimento e destaca que o YouTube é uma boa plataforma para o diálogo. “Em um mundo onde é muito fácil se conectar com o outro, ainda estamos bastante desligados”, opina, numa clara alusão ao descompasso entre o Ocidente e o mundo muçulmano e árabe. Ela disse querer acabar com os preconceitos, para que as pessoas conheçam seu povo “sem emendas, rasuras e sem filtros”.

Rania também pretende conversar com a juventude jordaniana, assídua freqüentadora do YouTube, que representa mais da metade da população de seu país (com um total de 6 milhões de habitantes). Ao contrário do que ocorre em outras localidades da região, como Arábia Saudita, Irã ou Síria, na Jordânia há fácil acesso à internet. A rainha tem convocado os jovens a ajudarem na tarefa de desanuviar as suspeitas que rondam seus compatriotas. E as desconfianças que eles próprios têm do mundo ocidental, principalmente dos Estados Unidos. Para estreitar ainda mais a comunicação, Rania pediu que os internautas enviem perguntas, que ela mesma se incumbirá de responder.

Mãe de quatro filhos e formando uma família declaradamente feliz e amorosa com o rei Abdullah, Rania ainda é criticada por muitos árabes e muçulmanos, que a consideram ocidentalizada em excesso. Mas não se importa e diz representar um grande segmento de mulheres do mundo árabe. “Eu gostaria de desfazer essa idéia de que todos são extremistas, de que somos um povo violento e de que a mulher é oprimida.” Suas principais bandeiras são a defesa da educação e a promoção do direito das mulheres.

Rania considera-se uma cidadã global. Diz que quer que seus filhos entendam o mundo como um todo. “Muitas vezes vemos os problemas do outro lado do planeta e achamos que não são nossos, mas são, pois o mundo está interligado”, costuma falar em palestras e entrevistas a líder palestina, que vislumbrou na internet uma das mais eficientes formas de concretizar essa aproximação.

ISTOÉ: “Se houve conspiração, Lula é o responsável” 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Istoé (13/04/2008). Entrevista com o Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) por Octávio Costa e Rudolfo Lago. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Senador diz que dossiê sobre FHC foi obra de petistas contra Dilma, mas admite que oposição é incapaz de abalar o presidente

Qualquer que seja o resultado das investigações que serão conduzidas pela Polícia Federal a respeito do vazamento de informações sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth – que a oposição batiza de dossiê e o governo chama de banco de dados –, um ponto a essa altura é incontestável: o senador Álvaro Dias (PSDBPR) é um dos personagens centrais desse enredo. Os papéis passaram pelas suas mãos antes de se tornarem públicos. Nesta entrevista à ISTOÉ, o senador oposicionista confirma que teve acesso aos documentos e invoca o direito constitucional de sigilo da fonte para não dar explicações sobre quem lhe levou a papelada. É mais um episódio da guerra pesada que governo e oposição travam no Congresso. Dias, porém, aposta que o vazamento do documento que chamusca a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a abate em plena tentativa de vôo presidencial, é obra do “fogo amigo” petista que tornou-se público numa manobra precipitada, com o propósito de constranger Dilma. “Nessa selva petista, tucano não sobrevive”, ironiza o senador. O fato é que a papelada, seja qual for seu autor e seu objetivo, serviu de motivação para que Dias voltasse a exercer seu estilo pesado de oposição. No episódio do mensalão, Dias foi o primeiro político adversário a pedir claramente o impeachment do presidente Lula. Para Dias, a oposição perdeu, ali, por timidez, a sua melhor oportunidade de abater Lula. Hoje, padece de um discurso incapaz de retirar o presidente dos seus altos índices de popularidade e enfrenta dificuldades para se manter unida. Lula, na opinião de Dias, é o político “com maior capacidade de transferência de votos” que ele já conheceu nos seus mais de 30 anos de vida política. Isso dá a medida do quanto poderá ser renhida a disputa eleitoral em 2010. Abaixo, a entrevista que Dias concedeu à ISTOÉ em seu gabinete no Senado.

ISTOÉ – Foi o sr. que vazou para a imprensa o dossiê sobre os gastos do presidente Fernando Henrique e dona Ruth?
Álvaro Dias – Evidente que não. O dossiê existe. Isso está comprovado. Foi formatado na Casa Civil. A própria ministra Dilma Rousseff anunciou- o, em São Paulo, quando disse: “Temos uma bala na agulha, não vamos apanhar quietos, estamos fazendo um levantamento sobre os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.” Logo em seguida jornais noticiaram que o governo preparava um dossiê. E coincidentemente o líder do governo no Senado (Romero Jucá) vinha propor a instalação da CPI, mudando a estratégia oficial. Antes, a tentativa de impedir, e, agora, o desejo de instalar. Na esperança de confundir as coisas, desviando o foco para o governo passado.

ISTOÉ – Esse teria sido, então, o objetivo do dossiê?
Dias – Na verdade, houve um duplo objetivo. Primeiro, confundir a opinião pública. E o outro, intimidar a oposição, chamando-a para entendimento. Aliás, o equívoco foi quando ocorreu a elaboração de um requerimento a várias mãos propondo instalar a CPI na Câmara dos Deputados. Nós não dependemos da maioria para instalar CPI no Congresso. Outro equívoco, a meu ver, foi incluir o governo passado. Não havia nenhuma denúncia formalizada.

ISTOÉ – Se a estratégia era essa, como o sr. explica o vazamento?
Dias – O vazamento é a conseqüência. Não existiria vazamento, se não existisse o dossiê. Há uma diferença entre o banco de dados, que existe, e o dossiê, que também existe. Ambos são filhos de uma mesma construção. A identidade é que é diferente. No banco de dados não vão se encontrar nomes como dona Ruth, Arthur Virgílio, Aloísio Nunes. Lá serão encontrados os nomes dos coordenadores das despesas, hoje chamados de ecônomos. Já no dossiê, há uma coluna à direita, de “Observações”, onde se configura um modelo diferente, com os nomes das pessoas e algumas observações que demonstram a má-fé.

ISTOÉ – Como o levantamento chegou a suas mãos?
Dias – Eu não fui fonte das informações, como alguém alegou. Fui ouvido por vários jornalistas, manifestei minha opinião e disse que vi páginas do dossiê. Na verdade, algumas pessoas tiveram acesso a essas informações. Como elas chegaram, não sei dizer. Mas é muito fácil a Polícia Federal descobrir. Estranho é anunciar que a PF vai investigar o vazamento e não investigará a feitura do dossiê. O substantivo é a existência do dossiê, que possibilitou o seu vazamento.

ISTOÉ – Os dados, então, já circulavam pelo Senado?
Dias – A notícia sobre a existência do dossiê circulou desde o início de fevereiro. Então, veio o esforço do governo propondo a CPI no Senado inicialmente, depois se acabou aceitando a CPI mista, numa negociação que realmente não ficou bem. É claro que os farejadores começaram a perseguir esse dossiê e a buscar informações. Eu tive acesso às informações na semana anterior à divulgação. Tive notícias de que outras pessoas também viram. As pessoas temem se apresentar como fonte porque alegam tratar-se de informações sigilosas. Mas não são.

ISTOÉ – Se as informações não são sigilosas, por que o sr. não revela sua fonte?
Dias – Há um erro quando se questiona um senador sobre fontes. As pessoas parecem esquecer que o artigo 56 da Constituição, em seu parágrafo sexto, assegura ao parlamentar não revelar as fontes das suas informações. O sigilo da fonte é essencial no processo democrático, principalmente num país como o nosso, em que os escândalos de corrupção pipocam. Quem ofereceria informações delicadas à imprensa se não tivesse certeza do sigilo? É claro que comprometeria o processo de investigação.

ISTOÉ – O sr. acredita na tese de conspiração contra a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência?
Dias – Se há conspiração é interna corporis. É uma conspiração doméstica, familiar. Essa ave tucana não sobrevive nessa selva petista do Palácio do Planalto. Se houve conspiração, o presidente da República é o grande responsável. Ele antecipou o processo eleitoral, a meu ver, indevidamente. O PT é um partido de facções. É possível que isso tenha despertado o conflito interno. Eu não saberia assegurar se houve conspiração doméstica e se o presidente deu combustível para o fogo amigo. No vazamento, houve uma precipitação. Talvez alguém que não morra de amores pela candidatura da ministra tenha atravessado o cronograma estabelecido.

ISTOÉ – O sr. vê relação entre os problemas da ministra e a tese da reeleição do presidente Lula?
Dias – Há forte suspeição de que tenha havido aí uma estratégia do presidente. O lançamento da candidatura da ministra seria uma forma de desviar o foco, enquanto ardilosamente se prepara o plano para um terceiro mandato. Até porque a ministra não tem grande apelo popular. Portanto, pode ter sido o modelo ideal para o presidente ocupar o espaço e viabilizar o projeto de terceiro mandato. O deputado autor da proposta na Câmara (Devanir Ribeiro, do PT de São Paulo) é do círculo de amizades do presidente. Enquanto o presidente afirma não desejar o terceiro mandato, o deputado continua agindo. Nós temos o direito de acreditar numa encenação do presidente.

ISTOÉ – A oposição denuncia erros e corrupção do governo, enquanto o presidente vive uma popularidade jamais vista. Por que isso acontece?
Dias – O País está dividido ao meio. Essas denúncias encontram eco numa parte da sociedade, que independe dos programas assistencialistas do governo. Mas isso não tem sido suficiente. O presidente Lula tem, de fato, uma popularidade surpreendente. É o líder político com a maior capacidade de transferência de votos que eu já conheci em 33 anos de mandato eletivo. A minha conclusão é que a população pobre cultiva a virtude da gratidão e responde aos benefícios diretos que recebe. E iludem-se os que acham que seja só o Bolsa Família. O presidente Lula hoje tem uma imagem tão forte que anulou seus coadjuvantes. Eles não existem. É por isso que a população não sabe os nomes dos seus ministros. O governo Lula é Lula. Houve ainda um aparelhamento do Estado e a criação de uma relação de promiscuidade com os movimentos sociais, em convênios ministrados pelos ministérios que vão parar em ONGs ligadas a esses movimentos.

ISTOÉ – Falta à oposição um discurso para essa parcela diretamente beneficiada pelas políticas sociais do governo?
Dias – Falta. A oposição sente-se impotente diante desse arsenal cuja montagem surpreendeu. A verdade é que houve um certo receio da oposição em criticar o governo Lula. Um receio de que prevalecesse a teoria do preconceito. De que estamos criticando Lula porque é um operário e nós da elite estamos combatendo o homem. A oposição tornou-se tímida. O movimento oposicionista cresceu durante a crise do mensalão, mas a oposição perdeu a oportunidade. Eu defendia que se instaurasse ali um processo de impeachment porque havia condições para isso. Reconheço que poderia não haver apoio popular. Mas a obrigação da oposição era propor a instauração do processo, mesmo que o impeachment não viesse a ocorrer. A verdade é que a oposição não ocupou os espaços e não teve capacidade de mobilizar a opinião pública.

ISTOÉ – E agora, em 2008, a oposição pode ter sorte melhor?
Dias – Eu não confundo eleição municipal com eleição federal.

ISTOÉ – Mas o presidente Lula confunde, ele está federalizando as eleições.
Dias – É verdade. O presidente tenta transferir a sua popularidade para aparelhar os municípios com seus prefeitos. É legítimo. Quer aumentar a força eleitoral. Mas não estará em discussão o governo Lula na eleição municipal. São peculiaridades locais. É o caso da aliança entre PSDB e PT em Belo Horizonte. Isso acontece porque os partidos não são unitários e ideológicos. O espectro partidário é o “samba do crioulo doido”. Não há programas, não há ideais. As condições locais é que prevalecem.

ISTOÉ – A aliança entre o PSDB e o DEM está prestes a se acabar?
Dias – Acho que temos de manter a boa relação, principalmente em função da atividade no Legislativo, nessa tarefa difícil de fazer oposição ao presidente Lula. Eu não vejo problemas em que ocorram confrontos entre o PSDB e o DEM nas eleições municipais. Mas alguns deveriam ser evitados. É o caso principalmente de São Paulo. Eu acho que se devem realizar todos os esforços para se estabelecer um projeto único. Há uma relação muito forte entre o Gilberto Kassab e o José Serra. O Kassab é da maior lealdade ao Serra. Eu imagino que seja possível, com uma presença forte do Serra, haver um entendimento. A favor do mais forte. Que não se coloque desde já que é o Geraldo Alckmin. Que se estabeleça um prazo: final de maio. Quem estiver mais bem situado apóia o outro.

ISTOÉ – Se não houver o entendimento, há risco de se perder a eleição?
Dias – Não creio. Acho que Marta Suplicy tem um teto. Haverá segundo turno, e no segundo turno, se não estiverem unidas, as forças de Kassab e Alckmin se unirão. Alckmin é o favorito. É um político já testado no Executivo, que administrou um Estado tão importante, com a complexidade que tem São Paulo, com baixa taxa de rejeição. Isso é um patrimônio extraordinário.

ISTOÉ – Em 2010, o sr. considera possível derrotar um candidato apoiado pelo presidente Lula?
Dias – Sim, porque a transferência de votos tem limites. Não é ele o candidato. Por maior que seja o esforço do presidente Lula com relação aos candidatos postos, a oposição é a grande favorita para 2010.

ÉPOCA: O esquema era maior 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Época (13/04/2008). Reportagem de Wálter Nunes. Íntegra para assinantes, clique aqui.

O misterioso consultor Luís Lima tinha uma segunda porta de entrada para conseguir contratos sem licitação em administrações comandadas pelo PT

Há um mês a fundação de empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) ficou conhecida por patrocinar mordomias do reitor da Universidade de Brasília, Thimothy Mulholland. Pagou a reforma luxuosa do apartamento funcional do reitor, equipando-o com TVs de plasma de última geração e latas de lixo de R$ 990. A Finatec também está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal e da CPI das ONGs no Senado Federal por causa da suspeita de ter servido como uma fachada legal para que a empresa Intercorp, de propriedade do consultor gaúcho Luís Lima, conseguisse sem licitação contratos milionários com prefeituras e governos estaduais administrados pelo PT.

A justificativa das prefeituras e dos governos estaduais para dispensar a concorrência pública era sempre a mesma: a Finatec é uma fundação voltada para o desenvolvimento da pesquisa científica e teria “notória especialização” em gestão pública. Na prática, tão logo um contrato com uma administração petista era assinado, a Finatec se apressava em subcontratar os serviços da empresa de Luís Lima. Entre 2001 e 2005, a Finatec recebeu R$ 50 milhões em contratos com administrações petistas e repassou R$ 22 milhões para a empresa de Lima.

Promotores e senadores querem agora saber se a manobra para driblar licitações era também um atalho criado pelo consultor gaúcho para conseguir contratos nos quais o dinheiro público acabou sendo desviado. As investigações ainda estão no começo, mas documentos e registros obtidos com exclusividade por ÉPOCA sugerem que os negócios suspeitos de Luís Lima com administrações petistas foram muito maiores que os celebrados por meio da Finatec. Esses documentos apontam para a utilização de uma segunda entidade, o Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort), que, assim como a Finatec, pode ter servido para Luís Lima obter contratos sem licitação com administrações do PT. Sob a condição de permanecer no anonimato, ex-funcionários da Intercorp disseram a ÉPOCA que o Idort desempenhava papel idêntico ao da Finatec: dava cobertura legal para a empresa de Luís Lima conseguir contratos sem participar de concorrências públicas. “Quem assinava o contrato com as prefeituras era o Idort, mas os responsáveis pelo trabalho eram os consultores do Luís Lima”, diz um ex-funcionário da Intercorp.

A parceria entre Idort e Intercorp teve como alvo, sobretudo, prefeituras no Rio Grande do Sul e em São Paulo controladas pelo PT. Todos os contratos foram assinados em 2002, ano de eleições para o Congresso, governos estaduais e Presidência. Quem assinava o contrato era sempre um representante do Idort, mas há indícios de que quem estava por trás era a Intercorp, de Luís Lima.

Na cidade gaúcha de Santa Maria, o prefeito Valdeci de Oliveira (PT) contratou sem licitação o Idort para prestar “consultoria administrativa e financeira” ao município. Pagou pelo serviço R$ 560 mil. Segundo a própria Prefeitura de Santa Maria, o Idort mandou oito consultores para a cidade. Entre eles estava Eduardo Grin, funcionário da Intercorp e braço direito de Luís Lima na empresa. A Prefeitura de Santa Maria disse não saber se o Idort subcontratou a Intercorp, mas Grin afirmou a ÉPOCA que nunca foi funcionário do Idort. Entre 1999 e 2003, ele foi funcionário registrado da Intercorp.

Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, o prefeito Fernando Marroni (PT) dispensou licitação para contratar o Idort por R$ 1,152 milhão para “prestar assessoria na área de organização administrativa”. A Prefeitura disse ser impossível identificar todos os consultores que trabalharam pelo Idort em Pelotas, mas reconhece que Luís Lima e Eduardo Grin estavam entre eles.

Em Jacareí, São Paulo, o prefeito Marco Aurélio de Souza (PT) contratou sem licitação o Idort para fazer uma “reforma administrativa” no município. O responsável pelo projeto do Idort foi novamente Eduardo Grin. O contrato entre a Prefeitura de Jacareí e o Idort custou R$ 1,2 milhão e chegou a ser bloqueado por decisão judicial, depois revertida pela Prefeitura.

Em São Carlos, São Paulo, o prefeito Newton Lima Neto (PT) fez dois contratos com o Idort para consultoria na área de saúde pública, no valor de R$ 452.800. Em um deles, aparece como testemunha Ana Néri da Silva Martins, gerente da Intercorp. Qual o motivo? ÉPOCA perguntou à Prefeitura, mas não obteve uma explicação. O Idort enviou a São Carlos 11 consultores. Entre eles estavam Jairo Soares Martins Filho e Henrique Johnson Buarque, dois consultores que trabalharam para a Intercorp na Prefeitura de Nova Iguaçu, comandada pelo também petista Lindberg Farias, em um contrato obtido, desta vez, por meio da Finatec. Terminado o contrato da Finatec, Henrique Johnson foi nomeado secretário de Saúde e Jairo Soares assumiu a presidência da Fundação Municipal de Saúde de Nova Iguaçu.

Em Campinas, São Paulo, a prefeita Izalene Tiene (PT) contratou o Idort por R$ 455 mil para elaborar o Plano de Cargos e Salários dos funcionários municipais. Em Araraquara, São Paulo, o prefeito Edinho Silva (PT) pagou R$ 60 mil ao Idort para fazer a “modernização administrativa” dos serviços da Prefeitura. As duas prefeituras informaram não ter registros da subcontratação de outras consultorias, mas lá também, segundo ex-funcionários da Intercorp, a empresa de Luís Lima estava presente.

ÉPOCA teve acesso a uma lista de brindes e presentes enviados por Luís Lima a seus clientes no Natal de 2004. A relação tem 254 pessoas, na maioria políticos e funcionários públicos. Com exceção de Cícero Lucena (PSDB), senador e ex-prefeito de João Pessoa, na Paraíba, e do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), praticamente todos os políticos e servidores presenteados são do PT. Entre eles havia dez prefeitos, dois ministros (Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação da Presidência, e Humberto Costa, da Saúde) e o governador do Piauí, Wellington Dias. Um detalhe interessante é que os presentes enviados por Lima tinham embalagens diferentes conforme o destinatário. Quando o presenteado tinha contratado a Finatec, o embrulho levava uma estampa com o símbolo da fundação de Brasília. Para prefeitos e funcionários de Campinas, São Carlos, Jacareí, Araraquara, Pelotas e Santa Maria, o logotipo era do Idort.

Há mais de um mês, ÉPOCA perguntou a Luís Lima se ele tinha contatos profissionais com o Idort. Ele negou. A mesma pergunta foi feita ao presidente do Idort, Roberto Venosa, que afirma comandar uma entidade com 600 funcionários e uma história de 76 anos. Venosa também desmentiu relações profissionais com a Intercorp. Há duas semanas, ambos se negaram a responder a novas perguntas. Diante das evidências apresentadas acima, a pergunta que cabe agora é outra: o que há tanto a esconder na relação entre Idort e Intercorp?

ÉPOCA: Lápis, papel e computador 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Época (13/04/2008). Reportagem de Gisela Sekeff. Íntegra para assinantes, clique aqui.

Novas tecnologias podem ajudar a modernizar a educação no Brasil. O país está pronto para elas?

A fluminense Rejiane da Silva, de 14 anos, estudante de uma escola municipal em Piraí, Rio de Janeiro, precisava fazer uma pesquisa para a aula de Português. Para isso, usou seu Classmate, um notebook educacional de baixo custo. O aluno Michael Pereira, de Cordeirópolis, São Paulo, conheceu em detalhes nas aulas de Ciências o mosquito da dengue através da lousa digital, um quadro-negro de última geração que funciona como uma grande tela de computador, sensível ao toque. Helena Ribeiro, de 9 anos, de uma escola particular de Brasília, tinha como tarefa fazer uma maquete do Sistema Solar. Sua professora pediu que mergulhasse na internet para descobrir como fazê-la. O paulistano Pedro Veiga, de 11 anos, do tradicional Colégio Dante Alighieri, projetou um robô coletor de lixo e ganhou o 1º lugar no Dante Digital, feira que reúne os melhores trabalhos de robótica da escola.

Rejiane, Michael, Helena e Pedro são alunos do século XXI. A tecnologia para eles, principalmente a internet, já faz parte da educação. A tendência é praticamente inevitável. Com a popularização dos computadores, a internet entra na escola, mesmo que pela porta dos fundos, quando o aluno faz pesquisa em casa sem orientação do professor. Ou quando, à revelia dele, copia e cola algum material de pesquisa. A questão é como incorporar essas inovações ao ensino regular para melhorar o desempenho dos alunos.

No Brasil, existem iniciativas oficiais para equipar as escolas. Na terça-feira passada, o governo anunciou uma parceria com as operadoras de telefonia fixa para levar a internet de alta velocidade a 37 milhões de estudantes. Mais de 56 mil escolas públicas urbanas estarão conectadas em banda larga até o fim de 2010, graças a um investimento de R$ 1 bilhão das operadoras. O governo federal também mostrou interesse em adotar o projeto Um Computador por Aluno, idealizado por Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A idéia é equipar cada estudante com um laptop juvenil, que o acompanharia durante todo o ano letivo, inclusive em casa. Mas a licitação para comprar o primeiro lote, de 150 mil máquinas, foi cancelada em fevereiro. Segundo o governo, por causa do preço.

Afinal, qual é o papel dos computadores na educação? As pesquisas internacionais sugerem que a tecnologia pode acelerar o aprendizado. O Estado americano de Michigan investigou 22 mil alunos que usavam notebooks pessoais na escola e os levavam para casa. Em um ano, a proporção de estudantes com proficiência em leitura subiu de 29% para 41%. Já o porcentual dos aprovados em matemática dobrou, de 31% para 63%. Outro levantamento, feito na província canadense da Colúmbia Britânica, concluiu que o maior ganho foi na habilidade de escrita, que elevou em 30% o índice de aprovações.

Mais de 56 mil escolas públicas brasileiras terão internet rápida até 2010, segundo o governo

Apesar das promessas, a maioria dos estudos mostra que o computador só ajuda se o aluno tiver orientação para seu uso. É o que aponta o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo divulgado em 2006 – que teve dados coletados também no Brasil – concluiu que os alunos com menos acesso a computadores têm notas mais baixas. Os estudantes que usam mais o computador em casa têm notas mais altas. Porém, o melhor desempenho foi entre aqueles que usam o computador cerca de uma vez por semana. Para os especialistas, isso significa que os professores ainda não sabem tirar proveito dos computadores como ferramenta de educação.

Os países desenvolvidos estão investindo em computadores com internet em suas escolas. Segundo o Pisa, Estados Unidos, Austrália e Coréia do Sul têm um computador para cada três alunos nas escolas públicas, número superior à média das escolas de elite brasileiras. Mesmo nas escolas particulares do Brasil, dos 3,3 milhões de alunos que cursam da 1ª à 8ª série, mais de 1 milhão ainda não teve acesso a um computador. A média brasileira é de uma máquina para cada 50 alunos, muito longe do mínimo recomendado pela OCDE, uma máquina para cada cinco alunos.

Segundo o Ministério da Educação, 30% dos alunos do ensino fundamental estudam em escolas onde há algum computador, mas nem sempre as máquinas são usadas pelos alunos. A antropóloga americana Julie Remold, do centro de pesquisas SRI International, deixa claras as mazelas do ensino no Brasil. Julie visitou mais de 20 escolas para descobrir que, na maioria delas, os computadores só eram usados para ensinar informática. “Em todas as escolas públicas que visitei, o laboratório de informática ficava trancado e só funcionava na hora da aula. Muitas delas tinham sido roubadas. Isso diminui o interesse do aluno”, diz Julie. “Por enquanto, as melhores experiências de utilização de recursos tecnológicos como parte do plano pedagógico da escola são exemplos pontuais e não refletem uma mudança no cenário brasileiro como um todo”, afirma Mozart Neves, da ONG Todos pela Educação.

Algumas escolas já mostram o potencial da tecnologia. No Dante Alighieri, os alunos aprendem a resolver problemas com a robótica. Os alunos montam máquinas com motores, rodas, polias e circuitos eletrônicos acoplados a computadores. “A princípio, pode soar como uma atividade restrita à área de ciências exatas, mas tem todo um contexto social de aprendizagem”, diz João Vilhete D’Abreu, pesquisador na área de tecnologia aplicada à educação da Unicamp. O aluno Pedro Veiga descobriu isso ao longo do ano passado, enquanto montava o robô coletor de lixo. “O cérebro dele era uma escova de cabelo que girava e empurrava o lixo para um compartimento. Tudo automatizado pelo computador”, diz Pedro. Para sua mãe, Vera Cristina Veiga, a atividade valeu como uma lição de vida. “Não é um simples modismo, a robótica desenvolve na criança a capacidade de tentar de novo, de ser persistente.”

Em Piraí, no Rio, os laptops aumentaram a participação dos alunos nas aulas. “Já dá para perceber várias mudanças nos alunos. Eles estão mais responsáveis, com maior auto-estima, e diminuiu a evasão escolar”, diz Jocemar Rodrigues de Moraes, diretor de uma escola municipal. Parte da explicação é dada por uma das alunas, Rejiane da Silva, de 14 anos. “Na minha casa não tem computador e, quando vou para uma aula onde preciso usá-lo, fico muito mais interessada em aprender.” A empolgação de Rejiane é um dos grandes trunfos da tecnologia para manter os alunos envolvidos com o conteúdo do ensino. “As crianças de hoje nasceram na era digital, é de esperar que aprendam a pensar dessa forma, digitalmente”, diz o americano John Seely Brown, ex-diretor do famoso Centro de Pesquisas de Palo Alto (PARC) da Xerox. Lá foi desenvolvido o sistema operacional gráfico que derivou no Macintosh e no Windows. “A verdadeira questão não é se os computadores ajudam. Mas de quantas formas diferentes eles podem ser usados. E os limites são nossa imaginação.”

Uma geração que crescer à vontade com a tecnologia estará mais preparada para conduzir o Brasil nas próximas décadas, em um mundo onde só as nações mais inteligentes vão sobreviver. A revolução científica que começou há 300 anos se acelerou exponencialmente. Por isso, o sucesso econômico – das empresas e dos países – é determinado pela velocidade com que eles adquirem e transmitem conhecimentos. Esse é nosso maior teste.

ÉPOCA: Malan eleva o tom 13 Abril 2008

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Publicado originalmente na revista Época (13/04/2008). Reportagem de José Fucs. Íntegra para assinantes, clique aqui.

O ex-ministro da Fazenda critica a paralisação das reformas e diz que, sem elas, o Brasil não anda

O ex-ministro da fazenda Pedro Malan, que comandou a economia do país durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), costuma ser discreto em suas manifestações. Desde que deixou o cargo, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, são raras suas entrevistas. Malan, hoje presidente do Conselho de Administração do Unibanco, também costuma ser econômico em suas críticas ao atual governo. Durante o 21o Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na semana passada, porém, ele parece ter mudado de tom. Malan fez críticas à total paralisação das reformas econômicas no atual governo.

De acordo com Malan, o país só conseguirá crescer a taxas elevadas e sustentáveis, com a rapidez necessária para enfrentar a competição cada vez mais acirrada no cenário global, se colocar as reformas na ordem do dia. “As reformas são importantes para aumentar a eficiência, a produtividade e a competitividade do país”, afirmou. “É disso que depende, em última instância, o desenvolvimento econômico, social, tecnológico e cultural. Poderemos dar um grande passo se conseguirmos mostrar que elas não são importantes por si mesmas.” Mas Malan se mostrou cético em relação à possibilidade de que isso possa ocorrer no atual governo. “No Brasil, é preciso que as coisas se deteriorem para que as forças políticas se mobilizem. É nossa forma de lidar com os problemas”, disse.

O Fórum da Liberdade, evento promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), reuniu empresários, autoridades e especialistas do exterior para debater o tema Agora, o Mercado É o Mundo (leia mais na coluna de Paulo Guedes). Diante dessa platéia, Malan clamou urgência nas três principais reformas: tributária, trabalhista e previdenciária.

Em relação à reforma tributária, ele afirmou que o texto hoje em discussão no Congresso, embora seja um passo na direção correta, ainda é tímido. Principalmente se levarmos em conta que no Brasil – dono de uma das mais altas cargas tributárias do mundo, na faixa de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) – os gastos do governo federal crescem num ritmo duas vezes mais rápido que o PIB.

Sobre a reforma trabalhista, Malan disse que o engessamento das relações de trabalho deixa a economia brasileira em desvantagem em relação à de seus principais competidores globais, que oferecem mais flexibilidade para contratação e dispensa de mão-de-obra. “No Brasil, há uma diferença enorme entre o salário recebido pelo trabalhador e o custo efetivo da mão-de-obra”, afirmou. Nesse campo, o país está vivendo, em sua visão, um “retrocesso”. Malan disse duvidar que algo possa acontecer na área até as eleições presidenciais, no fim de 2009.

No caso da reforma da Previdência, Malan disse que o tema terá de ser encarado cedo ou tarde. De acordo com ele, só os países com mais de 10% da população com idade acima de 65 anos gastam mais de 10% do PIB com aposentadorias e pensões. O Brasil é o único em que os gastos nesse quesito alcançam 13% do PIB, embora a população com mais de 65 anos represente só 7% do total. É um gasto per capita equivalente a 22 vezes mais que os gastos realizados com a educação fundamental. “Acho que vai ser difícil mexer com a Previdência em ano de eleições municipais.” Malan sempre foi um otimista em relação ao país. Seu discurso, hoje mais cauteloso, continua merecendo atenção.

Juventude envia moção de apoio a Yeda Crusius 10 Abril 2008

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O Secretariado Nacional de Juventude do PSDB enviou na última segunda-feira Moção de Congratulação à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, no qual elogia a tucana pelo trabalho sério, íntegro e responsável realizado à frente do governo estadual.

A Juventude tucana considera o papel de Yeda fundamental para o equilíbrio das contas públicas do Rio Grande do Sul e destaca a coragem e a ousadia dela nas ações governamentais, caracterizando o “modo tucano de governar”.

“A governadora Yeda assume compromisso, assim como os demais governadores do PSDB, com uma boa gestão. É um exemplo para os jovens de todo o Brasil, dando um novo rumo para o estado”, disse o secretário-geral da JPSDB, Geovani Pereira (MG)

O secretariado aponta ainda o resgate da credibilidade do estado por meio da negociação que está sendo feita com o Banco Mundial (Bird) para a reestruturação da dívida pública. A previsão de crescimento para o Rio Grande do Sul é de aproximadamente 5,1% em 2008. Também assinam a moção o presidente da Juventude, deputado estadual Bruno Covas (SP), e o vice-presidente Daniel Lundwing (RS).

Minas lança quarta edição de programa para estudantes 10 Abril 2008

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O governador Aécio Neves participou nesta terça-feira (8) do lançamento da quarta edição do Programa Valores de Minas. A novidade neste ano é a inclusão de 106 alunos que participam, em Ribeirão das Neves, do programa Poupança Jovem. Ao lado de outros 419 estudantes de 97 escolas estaduais do Programa Escola Viva, Comunidade Ativa, de Belo Horizonte, eles irão freqüentar, durante um ano, oficinas de artes. O Valores de Minas é coordenado pelo Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas). Durante o lançamento, o governador explicou o objetivo do programa.

“Fazer o que a Constituição nos determina, fazer enquanto governantes é a nossa primeira responsabilidade, mas, ir além, como estamos vendo aqui, incluindo essas crianças, permitindo que elas saiam daqui acreditando mais em si próprias, acreditando mais no seu estado, na sua capacidade de contribuir para o seu meio, é algo que me alegra muito. Podem ter certeza que, enquanto estivermos no governo, este programa vai ser ampliado, vai ser aprofundado”, disse o governador, em entrevista, após a solenidade.

Além dos 525 alunos que freqüentarão as oficinas de artes, participarão ainda das atividades os 70 alunos que concluíram as aulas no ano passado e que, neste ano, serão capacitados para atuarem como multiplicadores das atividades artísticas nas comunidades em que vivem. Serão ainda ministradas aulas de atualização para 60 professores de Arte também do programa Escola Viva, Comunidade Ativa.

A presidente do Servas, Andréa Neves, destacou a importância do programa para a auto-estima dos alunos e como eles levam a experiência para as comunidades em que vivem.”Os resultados objetivos que temos são meninos que estão hoje cursando universidades, se profissionalizando na área artística, mas o importante para nós é que o foco do nosso programa não é um foco profissionalizante, o nosso foco é a auto-estima, é a valorização de cada um desses meninos, como interlocutores. Essa experiência tem sido sentida especialmente nas escolas em que eles estudam e não nos deixa dúvida nenhuma de que eles realmente se transformam em agentes multiplicadores do programa”, afirmou.

A proposta de reunir no Valores de Minas estudantes que são atendidos por outros programas do Governo de Minas tem o objetivo de potencializar os resultados de ações que visam educar os jovens para o ingresso na vida adulta.

O Poupança Jovem garante a alunos de escolas estaduais cursos profissionalizantes, atividades extracurriculares nas áreas cultural e esportiva e acompanhamento do rendimento escolar. Quando terminam o ensino médio, os alunos têm direito de sacar R$ 3 mil como incentivo para continuarem os estudos ou iniciarem o próprio negócio. Em contrapartida, se comprometem a tirar boas notas e desenvolver atividades comunitárias.

Em 2008, o Poupança Jovem atenderá 16,6 mil estudantes de Ribeirão das Neves, Ibirité e Esmeraldas, na RMBH, e de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Os municípios foram escolhidos levando-se em conta o baixo Índice de Desenvolvimento Humano ou as altas taxas de evasão escolar e criminalidade.

Já o Escola Viva, Comunidade Ativa atende a 465 mil alunos de 500 escolas, em 102 municípios mineiros. As escolas participantes estão localizadas em áreas vulneráveis à violência urbana. O objetivo do programa é reduzir os índices de criminalidade por meio da aproximação da escola com a comunidade. Para isto, abre as portas no final de semana, oferecendo atividades culturais e esportivas diversas a alunos, familiares e vizinhos, nos finas de semana.

Alckmin: Não existem alckministas e serristas. Existem tucanos. 8 Abril 2008

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- O senhor será candidato à prefeitura de São Paulo?

- É possível. Eu sinto que é a vontade do povo. Sou um candidato de partido-, responde Geraldo Alckmin (PSDB-SP), pré-candidato à prefeitura de São Paulo.

- Houve avanço nas negociações dentro do PSDB em relação a isso?

- Devemos consolidar a unidade partidária. Não existem Alckministas e Serristas. Existem tucanos. Tucanos que amam o povo brasileiro e trabalham com determinação pelo País. O fato de ter discussão [dentro do PSDB] é muito bom. Mas só serei candidato se houver consenso.

- Vê a candidatura da ministra do Turismo Marta Suplicy (PT) como um empecilho na disputa?

- Isso não me preocupa. A eleição [do próximo prefeito de São Paulo] será em dois turnos. O PT certamente estará no segundo turno porque tem um patamar histórico de 25% a 30%. Ela é a candidata e já foi prefeita.

- Essa indefinição das alianças entre PSDB e DEM não dá espaço para a ministra Marta sair na frente?

- É óbvio que a indefinição não ajuda.

- Existe a possibilidade de DEM e PSDB fazerem uma chapa única pela prefeitura de São Paulo, com o atual prefeito Gilberto Kassab, como vice-prefeito?

- Se depender só de nós, estaremos juntos. Mas não depende só de nós.

- As alianças firmadas pelo partido agora são um pré-acordo para as eleições de 2010?

- O que acontecer em 2008 não influenciará as eleições de 2010. As últimas eleições nos mostram que as pessoas separam bem as duas coisas. Em 2008 o que conta são as políticas locais.

- Acredita que as articulações dos governadores Aécio Neves [que tenta acordar um candidato único entre PT e PSDB pela prefeitura de Belo Horizonte], e José Serra [defensor da aliança PSDB/DEM em São Paulo] não têm relação com as eleições presidenciais de 2010?

- (Risos) Existem dois ansiosos na vida: os políticos e os jornalistas.

Repúdio às imorais indenizações de Ziraldo e Jaguar 8 Abril 2008

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“Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento.” (Millôr Fernandes)

Exmo. Sr.
Tarso Genro
Ministro da Justiça
Brasília – DF

Excelência,
Repudiamos a decisão imoral da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que – de forma afrontosa, absurda e injustificável – premiou os cartunistas Ziraldo Alves Pinto e Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o “Jaguar”, fundadores de “O Pasquim”, com acintosas e indecentes “indenizações”.
Sem desconhecer ou negar os méritos do extinto jornal e sua corajosa participação na luta contra o regime implantado pelo golpe de 1964, não se pode, de forma alguma, aceitar esse equívoco lamentável do Ministério da Justiça, que nos custará a bagatela de R$ 1.253.000,24 (hum milhão duzentos e cinqüenta e sete mil reais e vinte e quatro centavos) para Ziraldo, e outros R$ 1.027.383,29 (hum milhão vinte e sete mil trezentos e oitenta e três reais e vinte e nove centavos) para Jaguar, além de polpudas pensões mensais e vitalícias. Isso tudo à custa de nosso trabalho, raspado de nossos bolsos, em decisão que enxovalha o Estado de Direito e a seriedade no trato dos dinheiros públicos.

Há que se registrar a cupidez vergonhosa de dois jornalistas do nível de Ziraldo e Jaguar, que encerram suas vidas profissionais desenhando em tinta marrom a charge da desmoralização de suas lutas e da degradação moral de suas biografias. Transformaram em negócio o que pensávamos ter sido feito por dignidade pessoal e bravura cívica. Receberam, por décadas, o nosso aplauso sincero. Agora, por dinheiro, escarnecem de toda a cidadania, chocada e atônita com a revelação de suas verdadeiras personalidades e intenções.

Com a ditadura sofreram todos os brasileiros. Por isso não encaramos como negócio lucrativo, prebendário e vergonhoso o que se fez por idealismo, honradez e dever. A ditadura não só não provocou danos terríveis a Ziraldo e Jaguar, como agora os enriquece e os torna milionários à custa de um país de miseráveis e doentes.

Aplaudimos os demais jornalistas que fizeram o saudoso semanário pela decisão de não acompanharem Ziraldo e Jaguar nessa pilhagem, roubando dos brasileiros o dinheiro que deveria (e poderia) estar sendo utilizado na construção de hospitais, num país de doentes; de escolas, num país de analfabetos; na geração de empregos, num país de desempregados.

Que se degradem, que se desmoralizem, que se mostrem publicamente de uma forma que jamais poderíamos esperar. Mas não à custa de nossos bolsos, surrupiando o dinheiro suado de milhões de brasileiros que sofreram com o regime de exceção, mas nem por isso se acham no direito de “ganhar na loteria”.

Exigimos mais critério, seriedade e parcimônia na concessão de tais indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Para que se evitem espetáculos bisonhos como o que assistimos.

(O texto acima corre na rede em busca de assinaturas)

Hermanoteu 8 Abril 2008

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Jornalista acusa Planalto de interferir na TV Brasil 7 Abril 2008

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Primeiro âncora da TV Brasil, o jornalista Luiz Lobo, 42, afirma que o Palácio do Planalto interfere no jornalismo praticado pela TV pública federal, lançada pelo governo Lula, em dezembro, com a promessa de que não seria uma emissora chapa-branca. “Existe, sim, interferência do Planalto lá dentro. Há um cuidado que vai além do jornalístico”, afirma.

Lobo foi demitido na última sexta-feira, segundo ele, por ter resistido às interferências. Afirma que o Planalto controla o conteúdo das reportagens por meio da jornalista Jaqueline Paiva, mulher do também jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presidência da República. Lobo era também editor-chefe do “Repórter Brasil”, primeiro e único, até agora, programa da TV Brasil. Jaqueline ocupa o cargo de coordenadora de telejornais.

Lobo diz que a “pressão” aumentou nas últimas duas semanas, quando a crise dos cartões corporativos atingiu a ministra Dilma Rousseff, com o vazamento de um dossiê, elaborado pela Casa Civil, de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso.
“Não podíamos falar em dossiê, mas em “levantamento sobre uso dos cartões”. Depois, a orientação era falar “suposto dossiê’”, relata Lobo.

Publicado na Folha de S. Paulo (07/04/2008). Reportagem de Daniel Castro. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Coletiva 7 Abril 2008

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Dilma

Dilma Roussef, ministra chefe da Casa Civil

Conferência Fluminense de Políticas Públicas de Juventude 7 Abril 2008

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Nos dias 28, 29 e 30 de março, foi realizada na UERJ, a 1º Conferência Estadual de Políticas Públicas de Juventude que reuniu a juventude fluminense, representantes de entidades e de órgãos públicos para elaborar propostas que serviram de subsídio não só ao plano nacional, mas representaram a realidade do Estado para transformar e integrar as políticas estaduais de juventude.

A JPSDB-RJ esteve presente, conseguindo eleger toda sua bancada de candidatos a para os cargos de delegados nacionais, para assim representarem o estado em Brasília, na etapa nacional, marcada para o período de 27 a 30 de abril.

O Presidente da JPSDB-RJ, Marcelo Garcia Macedo, também representante da JPSDB na Executiva Nacional considera que “a participação da Juventude Tucana em eventos como esse demonstra que, o PSDB possui, entre os seus quadros, membros interessados em compartilhar o processo de discussão política estadual e nacional.” E o Secretário para Políticas Públicas de Juventude da JPSDB, Miguel Alvarenga Fernández y Fernández, concorda, afirmando que “os tucanos jovens não só participam desses debates, como geralmente são protagonistas nos diálogos que tem como foco a formulação de idéias.”

A 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude tem como objetivo discutir quais são as principais ações e programas que os governos devem realizar para promover os direitos deste segmento, que hoje já soma 50 milhões de brasileiros e brasileiras. Para isso estão sendo consideradas diversas formas de participação ao longo de todo o processo.

Ao escolher como lema da conferência “Levante sua Bandeira”, o governo quer incentivar que os jovens e as jovens se organizem para expressar quais são os principais problemas enfrentados por eles e quais políticas públicas devem ser desenvolvidas para resolvê-los. Eles terão vários canais para fazer isso.

Oportunidade perdida 6 Abril 2008

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FHC

Artigo de Fernando Henrique Cardoso

Preparei este artigo antes de viajar para os Estados Unidos, onde participo, hoje, de uma série de discussões na Universidade de Brown, em comemoração dos 40 anos da primeira edição do livro que fiz com Enzo Faletto sobre Dependência e Desenvolvimento na América Latina. É a minha despedida de Brown, depois de haver sido professor at large (título que requereu curta permanência docente anual) durante cinco anos.

Confesso que não gosto de escrever com tanta antecipação. A natural falta de interesse do leitor de jornal por notícias e mesmo por análises não atualizadas requer temas momentâneos. Temas que, ultimamente, têm sido francamente desanimadores para quem acredita que a política não se limita a uma luta mesquinha pela conquista e preservação do poder. Causa-me repulsa a falta de compromisso com a verdade dos fatos, a desonestidade intelectual e, principalmente, o tratamento cínico dispensado a indícios graves de improbidade na administração pública e a benevolência com que são tratados infratores amigos ou aliados. Como ainda agora no episódio dos cartões corporativos. A insensibilidade do presidente e de seu governo é tanta que pouco se lhes dá a opinião pública. Com a popularidade inflada pelos bons ventos da economia, joga-se irresponsavelmente com a idéia de que a preocupação com a moralidade pública e o respeito à lei é coisa de elite branca que tem tempo para ler jornal.

Quanta diferença com o que se vê hoje nos Estados Unidos. Quem não leu deve ler a íntegra do discurso de Barak Obama A more perfect Union. Nele Obama reconecta a luta política aos melhores valores de uma República que foi fundada com bases em ideais, entre eles o da igualdade. Um ideal sempre imperfeitamente realizado, mas que constitui até hoje o móvel das melhores e mais nobres lutas políticas do povo americano. Obama não se apropria do ideal para utilizá-lo como arma eleitoral e dividir o país. Mostra, assim, a grandeza de sua liderança.

Reproduzo um trecho representativo do sentido de seu discurso. Nele reconhece e critica a agressividade do pastor Jeremiah Wright nos sermões sobre raça proferidos na Igreja da Trindade. Repudia, por outro lado, a crítica que apenas sataniza o pastor e explica: “O erro profundo dos sermões do reverendo Wright não é que ele tenha falado sobre raça em nossa sociedade. É que falou como se nossa sociedade fosse estática, como se nenhum progresso houvesse existido, como se ela ainda estivesse ligada irreversivelmente a um passado trágico. Isso numa nação que tornou possível para um dos membros da congregação disputar o cargo mais elevado de sua terra e de construir uma coalizão entre brancos e negros, latinos e asiáticos, ricos e pobres, jovens e velhos. Mas o que nós sabemos, o que nós vimos, é que a América pode mudar. Este é o verdadeiro espírito desta nação. O que nós já conseguimos nos dá esperança – a audácia da esperança – para fazer o que nós precisamos e devemos fazer amanhã.”

Que diferença! Seria demais esperar que Lula, que também é símbolo de uma sociedade dinâmica em que as forças da mobilidade social contam mais do que a origem, percebesse que o País, para avançar, precisa realizar o muito imperfeitamente realizado ideal da igualdade perante a lei e que a moralidade pública é condição da igualdade republicana, e não preocupação de privilegiados? Não é isso que se deveria esperar do chefe da Nação? O que se vê, porém, é um presidente que não hesita em reviver a velha cantilena dos “dois Brasis”, da elite branca e dos oprimidos, dos maus e dos bons, e não raro justificar as práticas políticas mais atrasadas. Isso num país que o colocou no topo da vida pública e que se caracteriza por ter uma elite composta pelos “brancos da terra”, tisnados com orgulho pelos mais variados sangues, do indígena ao europeu, do negro ao asiático.

Exagero da minha parte? Ou a cantilena dos “dois Brasis” não foi o mote do discurso que Lula fez recentemente em Pernambuco? Para afagar Severino Cavalcanti, chamou-o de vítima do preconceito das elites de São Paulo e do Paraná, que teriam urdido uma trama para seu afastamento da vida pública. Teoria conspiratória risível, se dita por uma pessoa comum. Inaceitável, porém, vindo do presidente da República. Será a prévia do que virá pela frente na campanha eleitoral de 2010?

Que perda de oportunidade histórica! Por que não pensar em Mandela, que saiu de 28 anos de cadeia e falou da necessidade de reconciliação entre negros e brancos na terra do apartheid? Sem negar e repudiar, é claro, a injustiça do racismo. E não se diga que os antecedentes de grandeza só vêm do exterior. Basta lembrar de José Bonifácio, que desde o início do século 19 mostrava que o Brasil, como nação, teria de fundamentar-se na diversidade das raças e no reconhecimento de que os valores da democracia e do Iluminismo não se poderiam circunscrever, como pensava Jefferson, a uma elite restrita, formada por brancos e ricos. Ao contrário, afirmava o Patriarca, se déssemos educação aos negros e aos indígenas, portadores de Razão como todo ser humano, eles se tornariam cidadãos.

Por que, ao invés de passar a mão na cabeça de quanto aloprado exista ao seu lado, de ver amigos em quem se deixa corromper e inimigos em quem honestamente dele diverge, nosso presidente, com todas as credenciais que tem de homem que nasceu no meio do povo mais pobre e venceu, não une os brasileiros em torno do ideal fundador de toda grande República?

Por que, ao invés de congregar e definir valores comuns, se perde em picuinhas e se entusiasma tanto em inaugurar pedras fundamentais de obras que não se constroem? Raramente o País teve conjuntura econômica e mesmo social tão favorável para dar um salto grandioso na construção de uma Nação decente. Não obstante, a oportunidade se está perdendo pela falta de visão de quem lidera.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República

VEJA: Aécio Neves 6 Abril 2008

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Aécio Neves, 46 anos, começou na vida pública como secretário particular de seu avô Tancredo Neves. Soube aproveitar a herança política, a partir da qual deslanchou uma carreira meteórica. Foi deputado federal por quatro mandatos consecutivos, ajudou a fundar o PSDB em 1988 e, em 2001, elegeu-se presidente da Câmara dos Deputados. Em 2002, foi eleito governador. Reelegeu-se em 2006, no primeiro turno, com 77% dos votos válidos, a segunda maior votação proporcional do país. Bonito e solteiro, entra no sexto ano de mandato batendo ponto nas colunas sociais como convidado obrigatório da maior parte das festas cariocas, às quais comparece com beldades como a miss Brasil Natália Guimarães. No noticiário político, pontifica como peça fundamental na articulação da candidatura tucana (que pode ser sua) na eleição presidencial de 2010 e como o governador com resultados mais expressivos a apresentar. Diz ele: “O choque de gestão nada mais é do que a compreensão de que o setor público tem de ser eficiente e apresentar resultados concretos”.

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VEJA: José Serra 6 Abril 2008

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O tucano José Serra, 66 anos, começou sua carreira política no movimento estudantil dos anos 60. Foi deputado, senador, prefeito de São Paulo, ministro do Planejamento e da Saúde antes de se eleger governador do estado. No Palácio dos Bandeirantes, ele tem um objetivo claro: pavimentar sua candidatura a presidente da República em 2010. Pretende viabilizar o projeto transformando São Paulo em um canteiro de obras. Para isso, precisa de muito mais dinheiro para investir do que o proporcionado pelos doze anos de boa gestão financeira dos seus correligionários Mario Covas e Geraldo Alckmin. Por esse motivo, Serra cortou 13% dos cargos de confiança do governo do estado – boa parte deles nomeada por Covas e Alckmin. Ao mesmo tempo, passou a renegociar todos os contratos do governo paulista com o objetivo de economizar 600 milhões de reais, o que criou um novo atrito com seu antecessor. Além de pôr um novo freio nas contas já ajustadas de São Paulo, Serra implantou medidas inovadoras para ampliar a receita paulista e conseguiu uma folga orçamentária que será investida prioritariamente em obras de transportes, como o Rodoanel, um anel viário que visa a reduzir o tráfego de caminhões na capital paulista. A construção desse anel estava empacada desde abril de 2006. O projeto só deslanchou porque Serra levantou dinheiro com o corte de despesas e com o leilão da folha de pessoal.

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